Edilson Almeida/Redação RDM – A decisão do PL em manter a candidatura de Wellington Fagundes ao governo de Mato Grosso tornou-se o principal obstáculo para o acordo nacional que poderia levar a economista Daniella Marques, do Republicanos, à vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Aliados da campanha consideram Daniella o nome mais provável para completar a chapa, mas se esbarram na candidatura do senador mato-grossense, consolidada em pesquisas e no bolsonarismo vigente no Estado.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, Daniella coordena o núcleo econômico da pré-campanha e passou a acompanhar Flávio em agendas públicas. Flávio tem repetido que prefere uma mulher como candidata a vice.
Nesta semana, apresentou Daniella durante uma transmissão dedicada ao lançamento de propostas para o eleitorado feminino e incentivou o público a conhecê-la melhor.
Para firmar uma aliança com o PL, o Republicanos, porém, cobra apoio ao governador Otaviano Pivetta na eleição de Mato Grosso. O partido de Flávio, todavia, mantém Wellington como pré-candidato e não sinalizou disposição de retirar seu nome da disputa.
Marcou, inclusive, sua convenção para o proximo dia 22 – daqui a cinco dias. O PL argumenta que apoiou a chapa de Mauro Mendes e Pivetta em 2022 e que, agora, espera reciprocidade do grupo governista.
Pivetta assumiu o governo de Mato Grosso em março, depois que Mauro Mendes deixou o cargo para concorrer ao Senado. O Republicanos pretende aproveitar a máquina estadual e consolidar sua candidatura à reeleição.
Além de tentar ‘tirar’ Fagundes do jogo da sucessão, seu grupo trabalha para afastar a candidatura ao Governo do senador Jayme Campos, do União Brasil.
Na prática, PL e Republicanos precisam um do outro em planos diferentes. O Republicanos busca o apoio do PL para fortalecer Pivetta em Mato Grosso. Flávio, por sua vez, precisa do Republicanos para ampliar sua coligação nacional e viabilizar Daniella como vice.
A resistência em Mato Grosso transformou uma disputa regional em peça da negociação presidencial. Para avançar com Daniella, o PL teria de abrir mão de uma candidatura própria num dos estados em que possui base eleitoral consolidada.
Roraima aparece como um segundo ponto de atrito entre PL e Republicanos. Os dois partidos possuem pré-candidatos ao governo. O PL pretende lançar Arthur Henrique, enquanto o Republicanos trabalha com o governador interino Soldado Sampaio. A disputa se mantém mesmo depois de as legendas terem se enfrentado na eleição suplementar realizada em junho.
O caso reforça a dificuldade de construir uma aliança nacional sem resolver as divergências estaduais. Mas é Mato Grosso, pela candidatura de Wellington e pela força política de Pivetta no governo, que concentra o impasse mais relevante para o acordo.
A convenção nacional do PL está marcada para 25 de julho, na Arena Pacaembu, em São Paulo. Já a convenção em Mato Grosso ocorrerá tres dias antes, dia 22. A expectativa é que o encontro oficialize a candidatura de Flávio e apresente a composição da chapa presidencial.
O Republicanos realizará suas convenções a partir de 20 de julho, com o encontro de São Paulo previsto para 1º de agosto. Os partidos têm até 5 de agosto para escolher formalmente seus candidatos e coligações.