POLÍTICA
Pacheco deixa comando do Senado com legado de amortecimento entre Poderes
Published
1 ano agoon
By
Da Redação
Quando assumiu o comando do Senado para fazer seu 1º discurso como presidente, em 2021, Rodrigo Pacheco (MG) deu o tom do que seriam os 4 anos com ele à frente da Casa Alta: o senador sinalizou a aliados quase na mesma proporção que seus adversários.
Simone Tebet (MDB), sua principal adversária naquela disputa, foi a 2ª citada em seu discurso – o 1º foi seu fiador político, Davi Alcolumbre (então no DEM, hoje no União Brasil).
“Muito obrigado, senadora Simone Tebet, sobretudo por sua elegância, por sua altivez, por sua qualidade como parlamentar que orgulha o seu Estado e orgulha o Brasil”, disse, aos 57 segundos de seu pronunciamento.
Pacheco colocou o crescimento econômico como uma parte do tripé que seria perseguido, defendeu as reformas tributária e administrativa, além da harmonia com outros Poderes, num aceno ao governo do então presidente Jair Bolsonaro (hoje no PL).
No mesmo discurso, porém, Pacheco falou sobre a importância da saúde pública –o mundo vivia uma pandemia, com uma disputa sobre a narrativa das vacinas–, garantiu o direito das minorias e prometeu criar o posto de líder da Oposição que, naquele momento, seria ocupado pela esquerda.
A maior sinalização à esquerda, porém, foi uma frase em que defendeu o Judiciário, em um momento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) vivia sob as críticas de Bolsonaro e de seus aliados.
“Vimos também a importância do Judiciário para que o país pudesse seguir funcionando. A Justiça presta um serviço público essencial para a democracia, a que todas e todos devem ter acesso com respostas céleres”, afirmou.
O recém-eleito ainda falou sobre pacificação, citou Juscelino Kubitschek (1902-1976) e, sem mencionar Arthur Lira (PP), que seria eleito presidente da Câmara no mesmo dia, defendeu uma “parceria” com os deputados.
Naquele momento, Pacheco tinha 44 anos, era do DEM e estava no 1º mandato como senador. A ascensão havia sido rápida: ele se elegeu deputado federal em 2014. Três anos depois, comandava a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), comissão mais importante da Câmara. Ganhou destaque nacional quando o colegiado teve de lidar com duas denúncias contra o então presidente Michel Temer (MDB).
Em 2018, Pacheco foi “promovido” ao Senado e, depois de ser apadrinhado por Alcolumbre, chegou ao comando da Casa Alta 2 anos depois.
O tom ponderado tornou-se uma de suas marcas –o que causou, ao mesmo tempo, elogios e críticas de senadores, além do contraste com o jeito atravancado de Lira.
O resultado deu certo: Pacheco foi reeleito em 2023 para presidir a Casa por mais 2 anos.
Ao longo dos 4 anos, a condução serviu como amortecedor das tensões entre os Poderes: rejeitou o pedido de impeachment apresentado por Bolsonaro contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, evitou escalar a tensão na relação com Lira e facilitou a aprovação de projetos prioritários para Bolsonaro e Lula.


MEDIDAS CONTRA A COVID-19
O 1º ano do mandato de Rodrigo Pacheco como presidente do Senado foi marcado pelo impacto da pandemia.
Uma das primeiras ações ao assumir o comando da Casa Alta foi aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que permitia ao governo pagar um novo auxílio emergencial –já que o antigo, criado em abril de 2020, tinha sido finalizado.
De acordo com o texto, o governo poderia gastar até R$ 44 bilhões, o que permitiu a Bolsonaro manter sua popularidade naquele momento.
Num aceno à esquerda, o Senado instalou por determinação do STF, em abril de 2021, a CPI da Covid. O grupo tinha o objetivo de investigar supostas omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia e serviu como munição para a oposição ao governo nas redes sociais. O relatório final foi aprovado em outubro do mesmo ano.
O Senado também chancelou o piso nacional da enfermagem, e Pacheco defendeu fortemente a ampliação da vacinação no Brasil. Em maio de 2021, reuniu-se com o então ministro da saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga, para discutir a pandemia.
PEDIDOS DE IMPEACHMENT DE BOLSONARO E DE MINISTROS DO STF
Pacheco também enfrentou em seu 1º ano de mandato os pedidos de impeachment de ministros do STF.
O mais marcante foi o enviado por Bolsonaro, que pediu a destituição de Alexandre de Moraes por supostos crimes de responsabilidade. Pacheco arquivou a solicitação e disse se tratar de um pedido de “caráter pessoal” do agora ex-presidente. O arquivamento foi visto como um recado de que o senador não daria prosseguimento a requerimentos do tipo e o colocou na mira de bolsonaristas.
Por outro lado, o presidente do Senado também ignorou os pedidos de impeachment contra Bolsonaro entregues ao Senado. Um deles foi protocolado pelos senadores Randolfe Rodrigues (então na Rede, hoje no PT) e Omar Aziz (PSD-AM) –à epoca, eram presidente e vice-presidente da CPI da Covid, respectivamente.
RELAÇÃO COM O GOVERNO BOLSONARO
Jair Bolsonaro apoiou a candidatura de Pacheco à presidência do Senado. Apesar disso, o senador de Minas adotou uma atitude moderada no comando da Casa Alta, equilibrando as relações entre os Três Poderes.
A PEC do voto impresso –que estabelecia um comprovante impresso acoplado às urnas eletrônicas – foi arquivada por Pacheco. Ele deixou claro que a proposta não seguiria para o Senado, já que tinha sido rejeitada na Câmara.
O senador reafirmou sua confiança na Justiça Eleitoral e disse que a “política feita com agressividade não levaria o Brasil a lugar algum”, referindo-se aos ataques proferidos por Bolsonaro ao STF em 7 de setembro.
Já Bolsonaro chegou a dizer para aliados que Pacheco não priorizava as pautas do governo e que o diálogo com ele era complicado, diferentemente do que acontecia com Lira.
Bolsonaro, na época, estava com receio de Pacheco ser uma 3ª via na eleição de 2022.
MUDANÇA PARA O PSD E REELEIÇÃO
Em outubro de 2021, Pacheco se filiou ao PSD, partido de Gilberto Kassab, com a intenção de concorrer à Presidência da República ou ao governo de Minas Gerais em 2022. Era sua 3ª sigla, depois de passagens pelo MDB e pelo DEM.
A candidatura não veio, e Pacheco preferiu priorizar o apoio à sua reeleição ao comando do Senado em 2023.
A disputa opôs Lula e Bolsonaro. Pacheco recebeu o apoio do petista e de seus ministros.
Já seu principal adversário, Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do governo Bolsonaro, tinha o apoio de PL, PP e Republicanos.
A disputa foi acirrada, mas o senador do PSD conseguiu se reeleger com 49 votos, contra 32 de Marinho.


CPMI DO 8 DE JANEIRO
Lula tomou posse após a disputa apertada contra Jair Bolsonaro. Já nos primeiros dias de governo, em 8 de Janeiro, apoiadores do ex-presidente vandalizaram as sedes dos Três Poderes.
O senador criticou os atos extremistas e adotou medidas contra os ataques. Autorizou, por exemplo, a instalação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para apurar possíveis omissões de autoridades.
Pacheco disse que o 8 de Janeiro seguiu o “mote” de Bolsonaro e que o ex-chefe do Executivo tinha de ter se esforçado pela pacificação do ambiente político do país.
DESGASTES COM LIRA, MPs E EMENDAS
Os atritos com Arthur Lira começaram ainda nos primeiros anos de Pacheco à frente do Senado, mas atingiram seu ápice em março de 2023.
O motivo foi o debate em torno da tramitação das MPs (medidas provisórias). Os textos normalmente precisavam passar por comissões de deputados e senadores antes de serem analisados pelos plenários. A pandemia fez com que a etapa das comissões fosse pulada.
Com o arrefecimento da pandemia, Pacheco defendia a volta das comissões, mas Lira era contra. O impasse causou o atraso das MPs e prejudicou ainda mais a relação entre os 2.
A diferença de ritmo também foi observada durante a suspensão de emendas de congressistas, que se arrastou durante o 2º semestre de 2024.
O STF exigiu uma resposta da Câmara sobre a transparência das emendas de comissão. Lira, então, afirmou que os repasses eram legais e questionou a Corte sobre o motivo de só a Câmara ter de responder aos questionamentos, uma vez que o Senado também fazia parte do Congresso.
Depois, Pacheco afirmou que o Senado estaria disposto a votar em comissão as indicações depois do recesso.
REFORMA TRIBUTÁRIA E PAUTA ECONÔMICA
Pacheco viu seu vizinho de Casa, Arthur Lira, ser o grande articulador da reforma tributária. O Senado, ainda que tenha feito mudanças, teve um papel secundário.
Além da PEC para permitir a unificação de impostos, a Casa Alta aprovou em 2024 o principal projeto para regulamentar a reforma. O texto estabelece quais itens fazem parte da cesta básica e têm isenção tributária e cria tarifas reduzidas e ampliadas.
O Senado, no entanto, não terminou a análise da regulamentação. Ficará para o próximo presidente votar o projeto que cria o comitê gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Sob Pacheco, o Senado ainda deu continuidade a algumas das pautas consideradas prioritárias pela equipe econômica de Lula.
Uma delas foi o projeto para isentar do Imposto de Renda de quem ganha até 2 salários mínimos.
A lista inclui projetos do pacote de corte de gastos, com mudanças no Benefício de Prestação Continuada e na política de valorização do salário mínimo.
O Senado também aprovou a reoneração gradual da folha de pagamento de 17 setores econômicos depois de um vai-e-vem do governo.
A medida, inicialmente criticada por Lula, acabou aprovada pelo Congresso, o que representa impacto negativo para os cofres públicos.
DÍVIDAS DOS ESTADOS E OUTROS PROJETOS
De olho na possibilidade de se candidatar ao governo de Minas em 2026, Pacheco foi o autor e um dos principais articuladores da proposta para renegociar o pagamento das dívidas dos Estados com a União.
Na lista de mais endividados estavam Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A dívida de Minas chegava à casa dos R$ 160 bilhões. O texto foi aprovado em dezembro de 2024.
Também no ano passado, o Senado aprovou um projeto de Pacheco para regulamentar o uso de inteligência artificial no Brasil.
Rodrigo Pacheco deixa o comando do Senado tendo pavimentado a volta de Davi Alcolumbre, seu fiador, à presidência da Casa. A eleição está marcada para sábado (1ª.fev.2025). O senador do União Brasil é o grande favorito, com apoio que vai do PT ao PL.
Pacheco nunca escondeu sua proximidade com Alcolumbre. Em fevereiro de 2021, quando elegeu-se presidente do Senado pela 1ª vez, o senador do PSD fez questão de citar Alcolumbre nos primeiros segundos de seu discurso.
“Vossa Excelência reúne aquilo que eu tenho como filosofia de vida, é verdade, que é a humildade sem submissão, a coragem sem arrogância e a honestidade sem limites, inclusive no trato com todos os seus pares”, disse Pacheco.
A relação tende a ser vantajosa para Pacheco, que manterá um aliado como chefe do Congresso Nacional.
A pessoas próximas, o congressista já manifestou a vontade de deixar a vida política em 2027, quando termina seu mandato como senador.
Ele, no entanto, é cotado para assumir um posto de ministro do governo Lula –possivelmente a Justiça–, e também cogita realizar um desejo antigo de se lançar ao governo de Minas no ano que vem.
Rapaz é preso pela PM após sequestrar ônibus e fazer motorista refém em Várzea Grande; veja vídeo
Rio: belga testa positivo para malária, mas Fiocruz não descarta ebola
Ex-senador afirma que diretório nacional do União Brasil não poderá interferir em MT
Várzea Grande participa da FIT Pantanal 2026 com turismo, cultura e economia criativa
PM prende dois homens por tráfico de drogas e apreende mais de R$ 2 mil
Novo bloqueio judicial automático de contas exige atenção de devedores
Varejo e indústria criticam fim da “taxa das blusinhas”
Bancária morre após sofrer infarto ao chegar em igreja em Cuiabá
Operação em casas noturnas avança com novas notificações e inadequações identificadas
ALMT debate soluções para regularização fundiária e moradia de famílias do Contorno Leste
SAÚDE
Rio: belga testa positivo para malária, mas Fiocruz não descarta ebola
O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), investiga desde sábado (30) o caso de um...
Paciente em SP com suspeita de ebola testa positivo para meningite
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou que o homem internado com suspeita de ter contraído o...
São Paulo investiga caso suspeito de ebola em homem de 37 anos
Um homem de 37 anos com sintomas compatíveis com Ebola está internado no Instituto Emílio Ribas, na capital paulista. O resultado para...
POLÍCIA
Rapaz é preso pela PM após sequestrar ônibus e fazer motorista refém em Várzea Grande; veja vídeo
Policiais militares do 2º Comando Regional prenderam em flagrante, na noite deste sábado (30), um homem, de 25 anos, suspeito...
PM prende dois homens por tráfico de drogas e apreende mais de R$ 2 mil
A Polícia Militar prendeu dois homens por tráfico de drogas e apreendeu mais de R$ 2 mil em Arenápolis. Conforme...
Assessor de deputado federal é denunciado por estupro, agressões e ameaças contra a ex em Cuiabá
Conteúdo/ODOC – O assessor parlamentar J.S.O., de 38 anos, que integrava o gabinete do deputado federal Coronel Assis (União Brasil),...
POLÍTICA
Ex-senador afirma que diretório nacional do União Brasil não poderá interferir em MT
Conteúdo/ODOC – À imprensa, o ex-senador Cidinho Santos, vice-presidente da Federação União Progressista em Mato Grosso, afirmou que a direção...
Deputado questiona acusações contra Flávio Bolsonaro: “provem que ele pegou dinheiro”
Deputado questiona acusações contra Flávio Bolsonaro: “provem que ele pegou dinheiro” Comentários
Max mira novo mandato na AL após ter nome ventilado ao governo: “projeto é a reeleição”
Conteúdo/ODOC – O deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, relembrou o crescimento de sua...
CIDADES
Várzea Grande participa da FIT Pantanal 2026 com turismo, cultura e economia criativa
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, participa da 33ª edição...
MT inseriu mais de 2,5 mil recuperandos e ex-detentos no mercado de trabalho
Com 7.622 pessoas cadastradas, o Sistema de Emprego do Recuperando (Siner) vem fortalecendo a reinserção social por meio do trabalho em Mato...
Mais de mil alunos participarão de ações ambientais durante Semana do Meio Ambiente em Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (SPDU), promove entre os dias 1º...
ESPORTES
Atleta sorrisense representará o Brasil em competição mundial de vôlei de praia no exterior
Esportes3 minutos ago Atleta sorrisense representará o Brasil em competição mundial de vôlei de praia no exterior Davi Coimbra, de...
Sinop encara Santa Cruz hoje no Gigantão e vale acesso à 1ª divisão do mato-grossense
Esportes16 minutos ago Sinop encara Santa Cruz hoje no Gigantão e vale acesso à 1ª divisão do mato-grossense O Sinop...
Mixto e União ficam empatados e seguem disputando vaga no Grupo A4 do Brasileiro
O clássico mato-grossense entre União e Mixto terminou empatado em 2 a 2, ontem à noite, no Estádio Luthero Lopes,...
MATO GROSSO
Leis aprovadas pela ALMT reforçam combate ao cigarro e alertam sobre riscos do vape à saúde
Foto: MARCIA REGINA RODRIGUES DE OLIVEIRA O Dia Mundial sem Tabaco, lembrado em 31 de maio, reforça a importância da...
Lei garante Carteira de Identificação para pessoas com fibromialgia
Foto: Hideraldo Costa/ALMT A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) participou, nesta sexta-feira (29), do 1º Encontro de...
ALMT terá lançamento de livro, sessões plenárias e curso de qualificação eleitoral
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realiza, entre os dias 1º e 5...
Trending
-
ECONOMIA10 meses agoIBGE vai ajustar dados passados de desemprego; entenda o porquê
-
ENTRETENIMENTO2 anos agoRodrigo Santoro e Mel Fronckowiak celebram o amor com a chegada do segundo filho; ‘Viva’
-
POLÍCIA2 anos agoPolícia Civil orienta o que fazer nos casos de hackeamento e/ou de falsos perfis junto ao Facebook
-
MATO GROSSO2 anos agoPGE-MT lança Cartilha Eleitoral 2024 com orientações para agentes públicos sobre conduta nas eleições
-
POLÍTICA1 ano agoLula perde apoio de lulistas e nordestinos, e desaprovação vai a 51%
-
OPINIÃO2 anos agoEnvelhecimento e pobreza: os desafios de Mato Grosso para as próximas décadas
-
POLÍTICA2 anos agoVárzea Grande inaugura 25 obras e investe R$ 115 milhões em comemoração aos seus 157 anos
-
AGRICULTURA1 ano agoParece café, mas não é: ‘cafake’ engana consumidores, diz Abic
