Conteúdo/ODOC – O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) aproveitou o avanço de prefeitos do PL em sua campanha para disparar contra o senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso. Segundo Pivetta, os gestores que passam a conhecer melhor o adversário acabam desistindo de apoiá-lo.
“Eu não pedi, não pedi objetivamente para nenhum prefeito me apoiar. O que eu senti ao longo desse tempo todo é que quem passa a conhecer o outro candidato não fica com ele, não vota nele”, afirmou nesta quinta-feira (3), após participar do debate Diálogo do Setor Produtivo, no Cenarium Rural, em Cuiabá.
Pivetta negou ter procurado prefeitos para pedir apoio e afirmou que as adesões são resultado da relação construída com os gestores municipais e da avaliação sobre o que cada candidatura pode entregar aos municípios.
“Todas as manifestações que estão sendo feitas são pela convivência, pela confiança, pela expectativa de um bom governo, pelo que nós podemos oferecer de melhor para os municípios”, declarou.
A fala ocorre em meio a uma sequência de adesões de prefeitos filiados ao PL à candidatura de Pivetta. O movimento ganhou novo capítulo nesta quinta-feira com o anúncio do apoio do prefeito de Tabaporã, Carlão Borchardt (PL), que declarou considerar Pivetta o melhor nome para comandar Mato Grosso.
Além dele, já anunciaram apoio ao governador Flávia Moretti, prefeita de Várzea Grande; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; e Emerson Sabatine, de Itanhangá. Todos são filiados ao PL, partido que lançou Fagundes na disputa pelo Governo.
Outro revés para o PL ocorreu em Campo Novo do Parecis, onde o prefeito Edilson Piaia decidiu apoiar Pivetta e pediu desfiliação da legenda.
A movimentação provocou reação da direção estadual do PL. O presidente da sigla em Mato Grosso, Ananias Filho, anunciou a abertura de procedimentos que podem resultar na expulsão de prefeitos que declararam apoio ao governador.
A possibilidade de punição, entretanto, foi criticada pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que classificou uma eventual expulsão dos gestores como uma medida “radical”.
Abilio afirmou que manterá sua própria decisão eleitoral, mas defendeu que os prefeitos tenham liberdade para buscar uma relação positiva com o governador em benefício de seus municípios.
O prefeito também questionou o tratamento dado aos filiados do PL em comparação com integrantes de partidos aliados. Segundo ele, prefeitos de siglas como o MDB podem apoiar Pivetta sem enfrentar a mesma cobrança por fidelidade, enquanto os gestores do PL estão sob ameaça de punição.
Na avaliação de Abilio, a tentativa de obrigar prefeitos a apoiar Fagundes pode acabar produzindo justamente o efeito contrário e ampliar o afastamento de aliados.
A debandada de prefeitos do PL representa um desafio para Fagundes na tentativa de consolidar sua candidatura no interior de Mato Grosso. Os gestores municipais têm peso estratégico nas eleições estaduais pela capacidade de articulação e mobilização política em seus municípios.
Pivetta tenta capitalizar o movimento como demonstração de força política e aprovação de sua gestão. Ao comentar as adesões, o governador afirmou ter “muita fé” no futuro e disse acreditar que sua trajetória e suas propostas ganham força conforme são conhecidas pelos eleitores.