POLÍTICA

Ex-senador aposta na verticalização como próximo salto econômico de Mato Grosso

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A industrialização da produção agropecuária foi apontada pelo ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos, Cidinho Santos, como o principal desafio para que Mato Grosso mantenha o ritmo de crescimento econômico nas próximas décadas. A avaliação foi feita durante o painel “A Influência do Agronegócio na Economia e na Política Brasileira”, realizado na abertura oficial da GreenFarm, na noite desta quarta-feira (27).

O debate reuniu ainda o ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal Neri Geller, o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes, o diretor da ABFiagro, Rogério Boueri, e teve mediação do economista Vivaldo Lopes.

Ao abordar o cenário econômico mato-grossense, Cidinho afirmou que o Estado ainda vive o início de um processo de expansão industrial, apesar de já ocupar posição de liderança nacional no agronegócio. Segundo ele, o avanço da verticalização será determinante para transformar a produção agrícola em geração de empregos, renda e arrecadação dentro do próprio Estado.

“Mato Grosso é um estado que só está começando a voar e ainda vai voar muito. A verticalização da produção é o caminho. Há 6, 7 anos a produção de etanol era incipiente e hoje somos campeões na produção de etanol de milho e logo vamos ultrapassar o maior produtor de etanol (cana e milho) do país. O desafio é produzir e industrializar no Estado”.

Cidinho também defendeu que Mato Grosso passe a industrializar mais proteínas animais e reduza o envio de matéria-prima para outras regiões do país. Na avaliação dele, o Estado precisa aproveitar a força do agro para consolidar uma nova etapa de desenvolvimento baseada na agregação de valor.

Durante o painel, o empresário relatou dificuldades enfrentadas por indústrias têxteis instaladas em Mato Grosso para adquirir algodão produzido no próprio Estado. Segundo ele, produtores rurais acabavam obtendo maior vantagem financeira ao vender para exportação ou para outros estados, o que gerava perda de competitividade para a indústria local.

“Apenas 1,8% do algodão produzido por Mato Grosso é vendido para empresas daqui. O produtor local ganhava 7% a mais se exportasse a pluma ou vendesse a outros estados do que se vendesse para o mercado interno”.

O tema, segundo Cidinho, foi levado ao Governo do Estado, que iniciou estudos tributários por meio da Secretaria de Fazenda (Sefaz) para corrigir a distorção. A discussão resultou no lançamento, nesta quarta-feira (27), do Programa de Verticalização da Indústria Têxtil.

A iniciativa permitirá que produtores transfiram créditos acumulados de ICMS para indústrias do setor, reduzindo custos de produção e estimulando a transformação do algodão em fios, tecidos, malhas e confecções dentro de Mato Grosso.

Cidinho afirmou que a medida deve atrair novas indústrias de fiação e ampliar a cadeia têxtil mato-grossense, fortalecendo o processo de industrialização do agro. “Isso vai dar um grande salto e trazer mais empresas de fiação e malharia para Mato Grosso”, disse.

Outro ponto destacado por ele foi a infraestrutura logística. O empresário afirmou que Mato Grosso passa por um momento de destravamento de obras consideradas estratégicas, citando a duplicação da BR-163 entre a divisa com Mato Grosso do Sul e Sinop, a chegada da ferrovia da Rumo em Campo Verde, além do avanço da Ferrogrão e da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico). Também mencionou o projeto do alcooduto entre Sinop e Paulínia, que, segundo ele, deve entrar no PAC até junho de 2026.



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