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Brasil tem 213 barragens em situação crítica; MT concentra 10 das mais preocupantes

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Edilson Almeida/Redação RDM – O Brasil tem 213 barragens em situação crítica, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026, elaborado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O número corresponde às estruturas que, dentro do grupo de barragens prioritárias para gestão da segurança, atendem ao critério padronizado de maior preocupação: potencial de dano humano combinado com categoria de risco alta ou evidência de comprometimento da estrutura.

Ao todo, o relatório lista 404 barragens prioritárias no país. Dessas, 213, ou 53%, se enquadram no critério mais grave. Outras 191 foram incluídas por critérios próprios dos órgãos fiscalizadores, o que também exige acompanhamento, mas não indica necessariamente o mesmo grau de risco estrutural.

Em Mato Grosso, o levantamento aponta 85 barragens prioritárias para gestão da segurança. Desse total, 10 aparecem no grau mais preocupante. A lista inclui a UHE Colíder, em Colíder, fiscalizada pela Aneel, e nove estruturas ligadas à contenção de rejeitos de mineração, fiscalizadas pela ANM.

As estruturas de mineração listadas no critério mais grave são: Bacia de Rejeitos, Santa Maria, Barragem do Serginho, Jaburu, Neta, BR02 e Barragem Manah 1, em Nossa Senhora do Livramento; além da Bacia de Rejeitos São Bento e da Isa, em Poconé. Todas aparecem no relatório com indicação positiva tanto para dano potencial humano quanto para risco ou comprometimento da estrutura.

A maior parte das demais barragens prioritárias em Mato Grosso foi indicada pela Secretaria de Meio Ambiente por critérios de acompanhamento preventivo. Elas apresentam potencial de dano humano, mas não foram classificadas no mesmo grau crítico porque não combinam esse fator com categoria de risco alta ou evidência de comprometimento estrutural.

O relatório também registra um acidente e um incidente em Mato Grosso em 2025. Um deles envolveu a barragem Neta, em Nossa Senhora do Livramento, ligada a rejeitos de mineração. O outro envolveu a UHE Colíder, que exigiu sala de situação. Esses registros reforçam a necessidade de vigilância permanente sobre estruturas com potencial de atingir pessoas, rios, áreas produtivas, estradas ou núcleos urbanos.

Segundo a ANA, o Relatório de Segurança de Barragens é um instrumento de “transparência e qualificação da gestão” e serve para subsidiar planejamento, tomada de decisão e aperfeiçoamento técnico e institucional. A própria agência reconhece, porém, que o país ainda convive com lacunas importantes de informação e fiscalização.

Em todo o Brasil, apenas 52% das barragens cadastradas foram classificadas quanto ao Dano Potencial Associado e 50% quanto à Categoria de Risco.

Das 6.609 barragens enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens, só 24% possuem Plano de Segurança, 23% têm Plano de Ação de Emergência e 11% contam com Revisão Periódica de Segurança.

Outro ponto sensível é a fiscalização. Apenas 5,8% das barragens enquadradas passaram por inspeção regular em 2025. O relatório também aponta déficit de 332 profissionais de dedicação exclusiva nos órgãos fiscalizadores do país. Em Mato Grosso, a Sema aparece com 12 profissionais exclusivos para 658 barragens cadastradas, proporção de 55 barragens por técnico.

Em 2025, o país registrou 18 acidentes e 23 incidentes em barragens. Os principais mecanismos de falha foram galgamento, erosão superficial e erosão na interface entre o maciço e estruturas associadas.

O dado das 213 barragens em situação crítica não significa que todas estejam prestes a romper, mas indica que reúnem fatores que exigem gestão imediata e acompanhamento técnico rigoroso. Em Mato Grosso, a presença de dez estruturas no grau mais preocupante reforça a necessidade de transparência sobre localização, empreendedor responsável, planos de emergência e comunidades potencialmente afetadas.



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