Conteúdo/ODOC – Um novo vídeo divulgado pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici Keli Geraldo, mostra momentos da madrugada em que a empresária foi assassinada pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, em Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá).
A gravação, com mais de oito minutos, reúne imagens que, segundo o advogado, reforçam a suspeita de que o crime foi planejado.
Gleici foi morta com 21 facadas na manhã de 24 de junho de 2025. Durante o ataque, a filha do casal, que tinha 7 anos na época, também foi atingida. A menina sobreviveu.
A nova gravação é uma versão ampliada de imagens apresentadas anteriormente por Pouso. Ao longo do vídeo, o advogado acrescenta informações e comentários para sustentar a tese de que Daniel tinha consciência do que estava fazendo e teria preparado o ataque.
Em uma das cenas, Daniel aparece pegando uma faca. Na sequência, ele retira o objeto do campo de visão da câmera. Pouco depois, é registrado observando diversas vezes o quarto onde Gleici e a filha estavam dormindo.
Em outro trecho, a faca quase cai. Daniel então sai da frente da câmera e, conforme a interpretação apresentada pelo advogado, teria aproveitado o momento para reposicionar o objeto e evitar que ele fosse captado pelas imagens.
Pouso também destaca que Daniel teria olhado diretamente para a câmera em determinados momentos, o que, segundo ele, indicaria que o engenheiro sabia que estava sendo filmado. O advogado ainda afirma que o acusado tentou retirar o cartão de memória do equipamento.
Antes das imagens da madrugada do crime, o vídeo apresenta um áudio enviado por Gleici a uma prima. Na gravação, a empresária comenta sobre a situação financeira da família e diz que seria necessário vender um apartamento comprado na planta, em Cuiabá.
“Como o Daniel agora não tem renda e tal, ele apertou um pouco o orçamento e a gente tem que desfazer desse apartamento”, diz Gleici no áudio.
Ela também pede ajuda à prima para encontrar um comprador ou alguém interessado em investir no imóvel.
Na avaliação do advogado, a sequência registrada pelas câmeras não seria compatível com a versão de que Daniel teria cometido os ataques durante um surto. Para Pouso, as imagens indicam que ele teria agido de forma consciente e planejada.
Perícia
Daniel permanece internado no Centro Psicossocial de Cuiabá. A defesa afirma que ele não tinha consciência dos próprios atos quando matou Gleici e feriu a filha.
O primeiro laudo sobre a condição mental do acusado foi contestado pelo Ministério Público e pelos familiares da vítima. Conforme o advogado, a homologação da perícia acabou anulada e uma nova avaliação foi realizada por uma junta composta por três peritos.
A condição mental de Daniel e os possíveis efeitos da nova avaliação no processo ainda serão analisados pela Justiça.