A Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, prendeu em flagrante, nessa quinta-feira (22), três mulheres, de 18, 23 e 24 anos, investigadas por torturar uma mulher, de 32 anos, em São José dos Quatro Marcos, sob ordem de uma facção criminosa.
A ação foi coordenada pela Delegacia de São José dos Quatro Marcos. Participaram também a Delegacia de Mirassol D’Oeste e equipes da Polícia Militar (GAP, Força Tática e Agência Local de Inteligência).
Na madrugada de quinta-feira, as Polícias Civil e Militar receberam a informação de que uma mulher tinha dado entrada no Hospital Municipal com lesões, principalmente nas mãos. Ela teria sido agredida em um chamado “salve”, prática usada por facções criminosas para punir quem descumpre suas regras.
As investigações começaram logo em seguida e seguiram sem interrupção. Os policiais civis identificaram os envolvidos e o imóvel onde ocorreu a agressão, no bairro Jardim Popular, em São José dos Quatro Marcos.
Localizada pelos policiais, a vítima foi levada à delegacia, onde relatou ter acreditado que seria morta.
“Julgamento” por videochamada
Segundo as investigações, na noite da quarta-feira (21), a vítima foi chamada até a casa de uma das suspeitas para “explicar” boatos que estaria espalhando pela cidade. No local, as três mulheres e um homem, de 27 anos, apontado como “disciplina” da facção, fizeram uma videochamada com uma liderança da facção criminosa.
Durante a chamada, a vítima foi interrogada e pressionada a confessar que as acusações que fazia eram falsas. A liderança então determinou que ela recebesse 20 golpes de ripa de madeira nas mãos.
Uma das suspeitas aplicou os golpes. Outra filmou a sessão para que o líder da facção acompanhasse tudo. As demais pessoas vigiaram a vítima para impedir que ela saísse. O exame de corpo de delito confirmou as lesões.
Na tarde da quinta-feira, as equipes prenderam as três suspeitas: uma no supermercado onde trabalhava, outra em casa e a terceira no imóvel onde as agressões aconteceram. Os celulares delas foram apreendidos. Nos interrogatórios, as presas confirmaram como os fatos aconteceram.
Confronto
Ao mesmo tempo, uma equipe da Polícia Militar foi até a casa do homem apontado como “disciplina” da facção. Ele desobedeceu à ordem de abordagem, entrou no imóvel e apontou uma arma de fogo contra os policiais, que revidaram.
O suspeito foi socorrido e levado ao Hospital Municipal, mas não resistiu. Um revólver foi apreendido ao lado dele. A morte será apurada em procedimento próprio, e as perícias de local e de necropsia já foram requisitadas.
Prisão preventiva
As três mulheres foram autuadas por tortura, crime equiparado a hediondo e punido com reclusão de 2 a 8 anos. A Polícia Civil representou à Justiça pela conversão das prisões em preventiva e pela quebra do sigilo dos dados dos celulares apreendidos.
Na audiência de custódia, o Poder Judiciário homologou o flagrante, converteu em preventiva a prisão das três e autorizou o acesso aos dados dos aparelhos. Na decisão, a Justiça considerou a gravidade concreta do crime e o risco de que a vítima fosse intimidada. Também levou em conta que duas das presas tinham recebido liberdade provisória recentemente em casos de tráfico de drogas.
As investigações continuam para identificar a liderança que ordenou a punição e outros envolvidos, além de apurar a participação de cada um na organização criminosa.