POLÍTICA
Morte de Rubens Paiva completa 54 anos com legado de luta reconhecido
Published
1 ano agoon
By
Da Redação
O filme, lançado no final do ano passado, foi inspirado no livro de mesmo nome escrito pelo jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho do engenheiro. O ex-parlamentar foi levado da casa dele, no Rio de Janeiro, por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), no feriado de 20 de janeiro de 1971 (dia de São Sebastião), há 54 anos.
No quartel da Força Aérea Brasileira (FAB), ele começou a ser violentado. Depois, foi entregue a militares do Exército nos porões do DOI-CODI, onde também foi torturado e assassinado naquela mesma noite ou nos dias seguintes, segundo o que foi registrado pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014. Eunice Paiva somente obteve o atestado de óbito em fevereiro de 1996.


Rubens Paiva – Secretaria de Estado da Cultura / SP
O atestado foi a primeira grande reparação à família e à memória do homem, nascido em Santos (SP), que era inconformado com as injustiças sociais desde a época de estudante em São Paulo. Para o biógrafo Jason Tércio, que pesquisou a vida de Paiva por três anos e escreveu dois livros sobre o personagem, o caminho dele foi de combatividade.
Os trabalhos de Tércio foram publicados nos primeiros anos da década passada. O primeiro foi Segredo de Estado: o Desaparecimento de Rubens Paiva (2010) e o seguinte foi uma biografia intitulada Perfil Parlamentar de Rubens Paiva (de 2014), que foi entregue para a Câmara dos Deputados.
Leia aqui a biografia pública.
Líder estudantil
Conforme o escritor destaca, Paiva participava do movimento estudantil desde o ensino médio. Foi responsável pelo jornal O São Bento. Em 1950, ingressou no curso de engenharia civil na Universidade Mackenzie, onde foi eleito presidente do Centro Acadêmico Horácio Lane. Ao final do curso, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e passou a participar do Jornal de Debates, um seminário nacionalista que também existia em São Paulo.
O então militante considerava o veículo importante como contraponto a um momento em que grupos conservadores estavam determinados a conseguir a privatização da Petrobras. “Ele era movido realmente por idealismo. Acreditava mesmo que o Brasil tinha solução e que podia melhorar a situação dos mais pobres“. Ainda que empresário do ramo da engenharia civil e privilegiado financeiramente, ele defendia pautas sociais.
Tanto que Paiva resolveu se candidatar, em 1962, a uma vaga na Câmara dos Deputados depois de seguir o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Eleito, ele assumiu o cargo em fevereiro de 1963. Mesmo tendo um mandato de apenas pouco mais de um ano, o pesquisador avalia que foram meses de trabalho intenso porque foi a primeira instalada em Brasília e durante o governo João Goulart.
“Os parlamentares do bloco de Paiva defendiam reforma agrária, nacionalização de empresas estratégicas, melhorias na educação e na saúde. O Rubens sempre manteve essa coerência política, talvez o maior legado dele”, diz Tércio.
Atuação
Em meio às discussões acaloradas sobre reforma agrária, uma atuação de destaque de Rubens Paiva foi como vice-presidente da CPI instaurada para investigar o financiamento eleitoral suspeito de parlamentares com uso de recursos do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) e do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes).


Busto do ex-deputado Rubens Paiva – Flávia Villela – Repórter da Agência Brasil
“Ele era o mais veemente e pressionava. Ninguém ainda sabia, mas seria o maior escândalo de corrupção eleitoral da República até então, e com ramificações internacionais”, apontou Jason Tércio. Havia suspeita de envio de recursos ilegais para financiamento de campanhas de candidatos conservadores.
Isso o deixaria com a imagem de inimigo não somente pelos adversários políticos, mas também pelo regime ditatorial que iria se instalar. Outra atuação dele, durante o mandato, que teria irritado os militares, foi a elaboração de um relatório sobre corrupção na construção da ponte Rio-Niterói.
Alvo
A coerência e combatividade deixaram Paiva no alvo de militares depois do golpe de 1964. Ele era tão idealista que, mesmo depois de ter sido cassado (pelo Ato Institucional número 1) e perdido os direitos políticos em 1964, continuou atuando politicamente. Ele se exilou na Europa por não mais do que cinco meses.
Inclusive, para não ser interrogado com uma volta precoce ao Brasil, resolveu voltar para casa de forma inusitada. Comprou uma passagem para Montevidéu (Uruguai) e, em uma escala no Rio de Janeiro, disse para a tripulação que iria comprar cigarros.
Antes de ir para casa, conforme relata o biógrafo, comprou um buquê de rosas para a esposa Eunice, que tinha ido buscar as crianças na escola. Tércio registra que ele se sentou na escada na porta da cozinha e ficou esperando com o buquê nas mãos. Quando Eunice chegou com as crianças, todos ficaram emocionados. “Estou no Brasil e vou ficar no Brasil. Não quero exílio nem clandestinidade”, disse Paiva.
A partir de então, tocava as atividades de engenheiro sem esquecer as causas contra a ditadura. Ao lado do amigo Fernando Gasparian, por exemplo, participou da diretoria paulista do jornal Última Hora, em 1965, de oposição. Rubens Paiva continuou agindo nos bastidores e se expondo.
Apoio
Após o AI-5, em 1968, Paiva buscava apoiar, de alguma forma, grupos como o MR-8 e encaminhar cartas de perseguidos políticos exilados no Chile. “A família nunca soube dessas atividades paralelas do Rubens. Então, ele tinha esse tipo de imprudência e idealismo. Ao mesmo tempo, era uma coragem política muito grande”, avalia. Os pesquisadores entendem que ele continuou sendo monitorado também pelo destaque que teve como deputado.
Havia registros de Paiva em reuniões com sindicalistas, professores e militantes clandestinos. “Ele foi sempre monitorado. Os agentes acompanhavam os passos dele por 24 horas”.
“Ilumina os porões”
Os produtos culturais mais recentes ajudam a iluminar os porões da ditadura militar, segundo avalia o escritor e ex-deputado federal Emiliano José, que foi também preso e torturado por agentes da ditadura na Bahia, em 1970, Ele foi autor de biografias de personagens importantes da luta armada, como Carlos Marighella e Carlos Lamarca, e também de Waldir Pires, este amigo de Rubens Paiva. Pires, inclusive, esteve na casa de Rubens Paiva no dia 20 de manhã.
Ele explica que o ex-parlamentar nunca pegou em armas e sempre viveu em um cenário de privilégios, como um empresário bem-sucedido que recebia pessoas simpáticas à luta em casa. “Ele era um homem a favor das liberdades e da democracia. Ele foi preso porque teria sido solidário com perseguidos”. Para Emiliano José, iluminar os porões é uma maneira de não esquecer para jamais vir a acontecer novamente.
O ex-deputado estadual Adriano Diogo, que foi presidente da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, em 2014, destacou que resgatar a memória de personagens como o ex-parlamentar e de todos os desaparecidos e mortos pela ditadura é papel da sociedade e também dos gestores públicos. “Perante os militares, o Rubens Fava tinha um ‘agravante’. Ele era uma pessoa privilegiada que defendia a reforma agrária. Por isso, considerado um traidor”.
Prisão engasgada na garganta
A história da prisão do ex-deputado federal e engenheiro paulista Rubens Paiva, em 20 de janeiro de 1971, assombra o Brasil desde aquele momento e também depois de o país voltar a ser democrático. Nessa avaliação do biógrafo Jason Tércio, que escreveu dois livros sobre o parlamentar cassado pelo regime de exceção, trata-se de um crime que está “engasgado na garganta do Brasil”.
“Nessas mais de cinco décadas, a história de Rubens Paiva reapareceu do passado para assombrar a consciência brasileira. Desde que desapareceu, houve vários momentos em que o assunto foi destacado”. Ele cita reportagens publicadas na década de 1970 e os pedidos de desarquivamento do caso em 1981, 1986, 1987 e finalmente o reconhecimento, na década de 1990, pelo Estado brasileiro da morte de Paiva.
Para ele, a repercussão nacional e internacional do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, mesmo com o foco na trajetória da viúva, Eunice Paiva, tornou-se uma nova oportunidade de que a sociedade conheça, com novos produtos culturais, a crueldade da ditadura e também compreenda o legado de idealismo e coragem do parlamentar.


Rubens Paiva – Divulgação/Acervo da família
Silêncios
Isso ocorreu porque, na avaliação do escritor, o drama dos desaparecidos nunca foi realmente resolvido no Brasil. “Não somente não julgou nenhum torturador, mas também não teve esforços reais na procura dos desaparecidos”. O primeiro principal avanço nessa história, após a Constituição de 1988, foi a lei de 1995 que reconheceu como mortas pessoas desaparecidas em razão de acusação de participação em atividades políticas durante a ditadura.
Para ele, o caso do Rubens foi complicado em vista das inúmeras versões sobre o destino dele. “O caso ficou muito nebuloso porque o governo da época sempre divulgou versões falsas”. Uma delas deu conta de uma suposta fuga que teria ocorrido com a ajuda de colegas Era uma farsa que foi sustentada por militares, por exemplo, desde a primeira investigação, durante o governo de José Sarney, que mandou abrir inquérito policial militar.
Mas diferentes versões se multiplicaram, inclusive sobre o destino do corpo. No entanto, àquela altura, os nomes dos agentes envolvidos no assassinato foram revelados, mas inocentados. A Comissão Nacional da Verdade, em 2014, oficializou os autores dos crimes que vitimaram o ex-parlamentar. Segundo os registros, o tenente do Exército Antônio Fernando Hughes de Carvalho foi o responsável pelas torturas dentro da cela. Ele já faleceu.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco militares reformados, em 2014: José Antônio Nogueira Belham, Jacy Ochsendorf e Souza, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos. Há 10 anos, a Justiça aceitou a denúncia e os militares tornaram-se réus. Dos cinco, três morreram (Sampaio, Jurandyr e Campos) desde o início do processo que está no Supremo Tribunal Federal.
Relacionadas
Conselho de Direitos Humanos reabre caso Rubens Paiva
PGR quer manter ações sobre militares acusados da morte de Rubens Paiva
Casa usada em gravações de “Ainda Estou Aqui” atrai fãs e curiosos
Várzea Grande antecipa pagamento e quita salários dos servidores nesta terça-feira
Jayme chama Pivetta de “171” por promessa de hospitais e 60 mil casas populares no estado
Homem é preso por tentar matar garota de programa durante a madrugada em Várzea Grande
Governador garante que Estado vai manter combate à criminalidade com “mão pesada”
Petrobras muda cálculo do preço do gás natural
Quatro equipes de Mato Grosso disputam vaga na 2ª fase da Série D neste domingo
Motociclista morre após sair da pista e cair em barranco na MT-251, entre Cuiabá e Chapada
Prefeitura de Cuiabá lança Portal Oferta Pública para regularização de débitos com fornecedores
Cuiabá realiza mutirão com cirurgias de vesícula por vídeo para reduzir fila de espera
Empresário é internado em SP após se engasgar durante churrasco em Cuiabá
SAÚDE
Denúncias de violência infantojuvenil crescem mais de 120% em 5 anos
As denúncias de violência contra crianças e adolescentes mais que dobrou no decorrer da década, segundo dados do Ministério da...
Denúncias de violência infantojuvenil crescem mais de 120% em 5 anos
As denúncias de violência contra crianças e adolescentes mais que dobrou no decorrer da década, segundo dados do Ministério da...
Saúde lança plano para enfrentar El Niño e mudanças climáticas
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (3) uma série de medidas com o objetivo de preparar o Sistema Único...
POLÍCIA
Homem é preso por tentar matar garota de programa durante a madrugada em Várzea Grande
Policiais militares do 2º Comando Regional prenderam um homem, de 22 anos, pelo crime de tentativa de homicídio, na manhã...
Professora é encontrada morta dentro de represa em propriedade de Mato Grosso
Conteúdo/ODOC – A professora Adélia Cristina de Oliveira Batista, de 49 anos, foi encontrada morta dentro de uma represa localizada...
Bando que furtou R$ 2 milhões em grãos de fazenda e lavou dinheiro em casa de shows é alvo da PC
A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (30), a Operação Vigia, para reprimir as ações de um grupo que...
POLÍTICA
Jayme chama Pivetta de “171” por promessa de hospitais e 60 mil casas populares no estado
Conteúdo/ODOC – O senador e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Jayme Campos (União), intensificou o tom da pré-campanha e...
Governador garante que Estado vai manter combate à criminalidade com “mão pesada”
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado vai manter o enfrentamento à criminalidade com “mão pesada” e reforçou que...
Governador assina ordens de serviço para continuidade de obras de dois CEIs em VG
O governador Otaviano Pivetta assina, nesta terça-feira (30), duas ordens de serviço para a continuidade das obras de duas unidades escolares...
CIDADES
Várzea Grande antecipa pagamento e quita salários dos servidores nesta terça-feira
A Prefeitura de Várzea Grande quitou, nesta terça-feira (30), a folha salarial referente ao mês de junho dos servidores públicos...
Vítimas de acidente entre carro de passeio e caminhão morreram presas às ferragens
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) realizou, na madrugada desta terça-feira (30), o desencarceramento de três vítimas de...
MT entrega 47 novas viaturas da Patrulha Maria da Penha e alcança 100% dos municípios
O Governo de Mato Grosso reforçou, nesta segunda-feira (30), o combate à violência doméstica com a entrega de 47 novas...
ESPORTES
Lucas Paquetá tem lesão confirmada e desfalca o Brasil na Copa do Mundo
A CBF divulgou hoje uma atualização do quadro clínico do meia Lucas Paquetá. O jogador realizou exames de imagem e...
Luverdense abre venda de ingressos para partida decisiva contra o Guaporé pela Série D
O Luverdense abriu a venda de ingressos para o confronto contra Guaporé (RO), válido pelo jogo de ida da terceira...
Dora Varella vence etapa do skate park feminino em Cuiabá
Quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Paris de 2024, a skatista Dora Varella subiu no lugar mais alto do pódio...
MATO GROSSO
Assembleia Legislativa amplia atendimento ao cidadão com inauguração de posto da Receita Federal
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) deu mais um passo para aproximar os serviços públicos da população. Foi inaugurado...
Audiência pública apresenta diagnóstico técnico e define encaminhamentos para Reserva Guariba-Roosevelt
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Moradores do distrito de Guariba, em Colniza, lotaram o Centro de Eventos da Igreja...
Autoridades civis, eclesiásticas e empresários são homenageados na ALMT
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Sessão especial realizada no último dia 29 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT)...
Trending
-
ECONOMIA11 meses agoIBGE vai ajustar dados passados de desemprego; entenda o porquê
-
OPINIÃO2 anos agoEnvelhecimento e pobreza: os desafios de Mato Grosso para as próximas décadas
-
ENTRETENIMENTO2 anos agoRodrigo Santoro e Mel Fronckowiak celebram o amor com a chegada do segundo filho; ‘Viva’
-
POLÍTICA1 ano agoLula perde apoio de lulistas e nordestinos, e desaprovação vai a 51%
-
POLÍCIA2 anos agoPolícia Civil orienta o que fazer nos casos de hackeamento e/ou de falsos perfis junto ao Facebook
-
AGRICULTURA1 ano agoParece café, mas não é: ‘cafake’ engana consumidores, diz Abic
-
MATO GROSSO2 anos agoPGE-MT lança Cartilha Eleitoral 2024 com orientações para agentes públicos sobre conduta nas eleições
-
POLÍTICA2 anos agoVárzea Grande inaugura 25 obras e investe R$ 115 milhões em comemoração aos seus 157 anos
