Conteúdo/ODOC – O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, teria recebido R$ 32,3 milhões em pagamentos considerados suspeitos pela Polícia Federal, em menos de dez meses de 2025. Ele foi alvo da Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na instituição.
A informação consta na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a operação e determinou a prisão preventiva do consultor jurídico.
Segundo o documento, Grhegory teria recebido exatamente R$ 32.310.120,43, dos quais R$ 31.644.860,90 foram transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas.
Os valores foram distribuídos em 12 contas bancárias mantidas em nove instituições financeiras diferentes, sendo que diversas delas permaneceram ativas simultaneamente.
A investigação também identificou um crescimento expressivo no patrimônio financeiro do consultor. Em janeiro de 2025, os valores identificados somavam R$ 1,84 milhão, montante que chegou a R$ 7,61 milhões em outubro do mesmo ano.
Conforme a Polícia Federal, Grhegory foi o maior destinatário individual dos recursos provenientes dos pagamentos investigados no TCE-MT.
Na decisão, o ministro destacou que o consultor ocupava uma posição central no suposto esquema, não sendo considerado apenas um beneficiário dos valores.
As imagens analisadas pela PF também mostram o investigado participando de episódios de retirada e movimentação de dinheiro em espécie.
Em uma das gravações, ele aparece colocando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação das cédulas por uma funcionária de uma agência bancária.
Empresas investigadas
A Polícia Federal também identificou movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao consultor jurídico.
Uma delas é a G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., holding familiar administrada pela sogra de Grhegory e que anteriormente esteve sob a administração da esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro investigado na operação.
Segundo a decisão, a empresa teria recebido aportes de recursos provenientes dos pagamentos feitos ao consultor.
Outra empresa citada é a Maia Reining Horses Ltda., constituída por Grhegory em 22 de julho de 2025, com atuação na criação de cavalos e no comércio de embriões e sêmen.
Para os investigadores, a sociedade também poderia estar sendo utilizada para ocultar valores, especialmente porque os produtos comercializados não possuem preços públicos de referência.
O ministro Og Fernandes destacou que a movimentação de recursos por diversas contas bancárias, associada à constituição das empresas e aos indícios de ocultação patrimonial, representa risco de continuidade dos supostos crimes de lavagem de dinheiro.
Atuação no TCE
Grhegory é procurador efetivo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desde agosto de 2014 e foi cedido ao Tribunal de Contas em 2020. Em 2025, a cessão foi prorrogada até 2028.
Ele também ocupa a presidência da Associação Nacional dos Procuradores e Advogados do Poder Legislativo (ANPAL).
Na decisão, o ministro destacou que, na condição de consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory atuou em processos perante o Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiam justamente o pagamento de verbas indenizatórias aos membros da instituição.
Apesar de exercer a função de responsável pela consultoria jurídica do Tribunal, ele foi apontado como o principal destinatário dos pagamentos considerados irregulares.
Para Og Fernandes, medidas cautelares alternativas à prisão não seriam suficientes para impedir uma possível interferência na produção de provas, especialmente porque as investigações ainda envolvem outras pessoas.
O magistrado também destacou que Grhegory é apontado como um dos principais articuladores jurídicos e financeiros do suposto esquema.
Diante dos elementos apresentados pela Polícia Federal, o ministro considerou necessária a decretação da prisão preventiva do consultor jurídico.
Operação Tomada de Contas
A operação investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso.
Entre os investigados estão o presidente da instituição, Sérgio Ricardo de Almeida, e outros conselheiros e servidores.
Segundo a Polícia Federal, os pagamentos suspeitos eram realizados diretamente das contas do TCE-MT, em alguns casos por meio de ordens bancárias avulsas e canais normalmente destinados a fornecedores.
A investigação aponta que parte dos recursos teria sido posteriormente convertida em dinheiro vivo ou movimentada entre diferentes contas bancárias, em uma possível tentativa de ocultar a origem e a destinação dos valores.
A análise bancária realizada pela PF identificou movimentações consideradas suspeitas que somam R$ 75,8 milhões entre janeiro e outubro de 2025.