POLÍTICA

Candidato a deputado é acusado de crime eleitoral por usar pauta de crianças autistas em campanha

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Conteúdo/ODOC – O candidato a deputado estadual Alan Porto (Republicanos) foi acusado por pais de crianças neurodivergentes de usar a causa e os problemas enfrentados pelas famílias como “marketing” de campanha. A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (24), durante reunião com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, que anunciou que vai encaminhar ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) uma mensagem atribuída à equipe do candidato. O encontro foi transmitido ao vivo pelo Instagram do conselheiro.

A mensagem teria sido enviada por uma pessoa identificada como “Sarah da equipe do Alan Porto” e traz informações atribuídas à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) sobre o atendimento especializado de estudantes neurodivergentes. Alan Porto comandou a pasta por cerca de cinco anos e quatro meses.

Para Sérgio Ricardo, o conteúdo pode configurar irregularidade eleitoral e deve ser analisado pela Justiça Eleitoral. “Isso aqui é crime eleitoral, na minha modesta opinião. Mas quem sou eu? Não sou eu que vou julgar. O que eu estou dizendo aqui, eu vou mandar para o TRE, para que o TRE tome as devidas providências”, afirmou.

A denúncia surgiu durante a discussão sobre a interrupção do atendimento de cerca de 1,2 mil crianças neurodivergentes que eram atendidas por meio de contrato entre a Seduc e a CAMPI. Segundo Sérgio Ricardo, o contrato terminou em dezembro de 2025 e os serviços deveriam ter sido absorvidos pela rede estadual.

Na mensagem apresentada durante a reunião, a suposta integrante da equipe de Alan Porto afirma que, após o encerramento do contrato, o atendimento especializado passou a ser realizado pela própria rede estadual, com o fortalecimento do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial.

Os pais, porém, contestaram a versão e relataram interrupção de terapias, falta de informações e demora na retomada dos serviços. Familiares também acusaram o candidato de explorar a pauta das crianças neurodivergentes durante a campanha enquanto enfrentam dificuldades para conseguir atendimento especializado.

Durante a reunião, um dos pais relatou que procurou a escola do filho após ser informado sobre o fim das terapias e descobriu que a unidade não teria sido comunicada previamente. Outra mãe afirmou que seus dois filhos eram atendidos pela CAMPI e sofreram crises após a interrupção do tratamento.

Segundo dados apresentados por Sérgio Ricardo, cerca de 90% das famílias ouvidas em levantamento do TCE-MT relataram interrupção de tratamentos de pessoas neurodivergentes.

O presidente do TCE também questionou a possível influência de Alan Porto sobre a Seduc. “O que eu já vi aqui é que o ex-secretário continua mandando, o ex-secretário continua gerenciando a Secretaria de Educação, porque a mensagem que chegou aqui, do dia 11, foi mandada por uma secretária dele”, declarou.



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