Conteúdo/ODOC – O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), declarou apoio à Comissão Especial aprovada pela Câmara Municipal para acompanhar as investigações e denúncias de assédio moral e sexual envolvendo o ex-secretário de Desenvolvimento e Trabalho, William Leite de Campos.
A proposta recebeu 22 votos favoráveis e substituiu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), defendida por vereadores da oposição.
Segundo o prefeito, a comissão especial é o “instrumento mais pertinente no momento” e evita a exposição pública da vítima. “Acredito que a comissão especial vai acompanhar a investigação da polícia, sem fazer a exposição da vítima,” afirmou Abilio, em entrevista concedida na Câmara Municipal nesta terça-feira (10).
Durante a fala, o prefeito citou um episódio anterior ocorrido na Câmara envolvendo o depoimento de uma menor vítima de violência, que precisou ter o vídeo retirado de circulação. Ele defendeu que a prioridade deve ser a proteção da mulher que registrou a denúncia. “Eu acredito que o grande projeto deve ser a proteção da mulher que fez o B.O.”
Abilio também criticou o que classificou como “seletividade” na postura de alguns vereadores diante do caso. Ele afirmou que parlamentares que cobram investigação contra o ex-secretário não demonstraram a mesma reação em relação à Operação Gorjeta, que apura desvio de emendas e resultou no afastamento do vereador Chico 2000. “Eu não vejo esses vereadores que têm esse ímpeto para investigar a situação do William terem a mesma motivação e o mesmo ímpeto de investigar a questão do vereador Chico 2000,” declarou.
O prefeito ainda questionou a atuação da vereadora Maysa Leão e mencionou dúvidas sobre contratos do Instituto Lírios com o Ministério da Agricultura. Para ele, a Câmara deveria ampliar o alcance das apurações. “Tem muita coisa que a Câmara também deveria abrir para investigar, e eu acredito que ela não deve ser seletiva nisso”. A declaração foi dada antes de um desentendimento público entre Abilio e a vereadora, após ela interromper uma coletiva do prefeito.
As acusações contra William partiram de uma ex-servidora de 31 anos, que registrou boletim de ocorrência na última sexta-feira (6), denunciando assédio sexual e improbidade administrativa. O registro foi encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia de Cuiabá. No relato, a vítima afirma ter sido submetida a ambiente de pressão e tentativas de aproximação física sem consentimento quando trabalhava sob a chefia do ex-secretário, que pediu exoneração do cargo horas após a formalização da denúncia.