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Empresa que pagou propina a deputado de MT tem mais 20 municípios sob suspeita; lista

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Edilson Almeida/RDM Brasil – Agea Saneamento pagou propina em, ao menos, 20 municípios em sua área de atuação. Ao revelar ter pago R$ 30 milhões milhões e uma BMW ao deputado federal Juarez Costa (Republicanos) para facilitar negócios no período em que comandou a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016, ex-executivos da empresa admitiram transferências criminosas na ordem de R$ 63 milhões.

Como o processo tramita em segredo de Justiça, ainda não é possível conhecer a extensão total dos fatos narrados pelos colaboradores, mas há fortes suspeitas de que outras cidades atendidas pela companhia podem aparecer nas investigações.

Classificada como a maior empresa privada do setor de saneamento no Brasil, a empresa opera 23 concessões em Mato Grosso, além de manter operações também nos estados de Rondônia e no Pará.

Em Mato Grosso, a Aegea atua por meio da Aegea MT e da Nascentes do Xingu, concentrando concessões de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto em diversas cidades. A empresa é responsável pelos serviços de saneamento em 24 cidades mato-grossenses – em que pese documentos corporativos da companhia registram que a Nascentes do Xingu reúne 23 concessões.

Barra do Garças, Campo Verde, Confresa, Diamantino, Jangada, Jauru, Nortelândia, Paranatinga, Pedra Preta, Primavera do Leste, Porto Esperidião, São José do Rio Claro, Sinop, Sorriso, Poconé, Carlinda, Peixoto de Azevedo, Marcelândia, Santa Carmem, União do Sul, Vera, Cláudia integram a lista de cidades de Mato Grosso em que a empresa atua. Há ainda referências públicas a operações da Aegea em Guarantã do Norte, Juara e Matupá.

A presença em Sinop é simbólica. Foi justamente no município comandado por Juarez Costa que, segundo os delatores, teriam ocorrido os pagamentos ilícitos destinados a favorecer negócios da empresa. A concessão de Sinop foi tratada pela própria Aegea, em documento de mercado, como o 23º município atendido pela companhia em Mato Grosso.

As delações foram firmadas com o Ministério Público entre 2020 e 2021 e homologadas em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça.

Em Mato Grosso do Sul, a Aegea também tem atuação estratégica. A empresa opera a Águas Guariroba, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto em Campo Grande, e a Ambiental MS Pantanal, parceria público-privada com a Sanesul responsável pela coleta e tratamento de esgoto em 68 municípios do Estado.

A Aegea afirma, em seus canais institucionais, ser líder nacional no saneamento privado, presente em 893 cidades de 15 estados e atendendo mais de 39 milhões de pessoas. A companhia declara deter 37% do mercado privado do setor.

Foco de desgaste

O escândalo das delações não é o único foco de desgaste recente da Aegea. Em maio, reportagem da jornalista Gabriella Furquim, no Metrópoles, mostrou que a companhia também enfrentou forte abalo contábil após revisar informações financeiras de 2020 a 2024. A reavaliação reduziu em cerca de R$ 5 bilhões o patrimônio líquido da empresa e diminuiu o lucro de 2024 de R$ 2,4 bilhões para R$ 1,8 bilhão.

A mudança atingiu diretamente a Itaúsa, holding que controla o Itaú e detém 13,2% da Aegea. Segundo a reportagem, o impacto negativo no patrimônio líquido da Itaúsa foi de aproximadamente R$ 700 milhões. A revisão também provocou atraso na divulgação de resultados, rebaixamento da nota de crédito da Aegea por agências de classificação de risco e adiamento do IPO da companhia para 2027.



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