Pela metodologia do Ipespe, cenários em que o líder tem menos de 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado são caracterizados como disputas acirradas.
Polarização nacional
Em São Paulo, o cenário ocorre devido à polarização entre o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
No indicador, conforme atualização de 3 de julho, Boulos aparece com 26% das intenções de voto e Nunes, com 25% – apenas um ponto percentual de diferença.
Nas últimas dez atualizações do agregador, Boulos apareceu liderando quatro vezes e Nunes, três. Houve empate numérico em outras três oportunidades.
Boulos chegou ao segundo turno ao 2020, mas foi derrotado por Bruno Covas, de quem Nunes era vice / Reprodução
A polarização nacional também se repete em Porto Alegre, com a deputada federal Maria do Rosário (PT), com 29%, e o prefeito Sebastião Melo (MDB), com 27%, segundo atualização de 4 de julho.
Melo foi eleito em 2020 fazendo acenos a Bolsonaro, apoiou o ex-presidente no segundo turno de 2022 e caminha para tê-lo em seu palanque em 2024.
Já Maria do Rosário busca retomar a gestão da capital gaúcha para o PT, cidade que foi governada pelo partido por 16 anos consecutivos, entre 1989 e 2004.
Domínio duplo
É do Nordeste, porém, que vem a eleição mais polarizada entre dois nomes: em Teresina, com o deputado estadual Fábio Novo (PT) e o ex-prefeito Silvio Mendes (UNIÃO).
O primeiro tem 42% das intenções de voto pelo Índice CNN e o segundo, 38%, conforme dados de 2 de julho. Somados, ambos abocanham 80% da disputa na capital do Piauí.
Em cenário que se repete em outros estados e capitais do Nordeste, o PT governa o Piauí, mas nunca ganhou a disputa na capital Teresina.
Já Silvio Mendes, embora tenha apoiado Bolsonaro contra Lula em 2022, busca distanciar sua imagem em relação ao ex-presidente.
Fábio Novo já foi vice-prefeito de Bom Jesus, no sul do Piauí; em 2008, Silvio Mendes foi reeleito em Teresina ainda em primeiro turno / Reprodução
Terceiro cabo
Em Belém e Cuiabá, Bolsonaro e Lula também contam com apoiados no topo das intenções de voto, mas rivalizam contra nomes endossados por governadores.
Na capital do Pará, segundo dados de 1º de julho, o deputado federal Éder Mauro (PL) tem 20%, o deputado estadual Igor Normando (MDB), 18%, e o prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL), 13%.
Já na disputa pela prefeitura da capital de Mato Grosso, o deputado estadual Eduardo Botelho (União) tem 29%, o deputado federal Abilio Brunini (PL), 26%, e o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), 18%, com base na atualização de 4 de julho.
Edmilson e Lúdio são os nomes de Lula em Belém e Cuiabá, enquanto Éder Mauro e Brunini contam com o apoio de Bolsonaro.
Já Botelho, que preside a Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso, é o nome do governador Mauro Mendes (União) na capital.
Outros cenários
Em Manaus, o prefeito David Almeida (Avante) aparece com 31% das intenções de voto e o deputado federal Amom Mandel (Cidadania), com 24%, segundo dados de 1º de julho.
E em Porto Velho, dados de 26 de junho apontam Mariana Carvalho (União) e Léo Moraes (Podemos), ambos ex-deputados federais, com 22% e 18%, respectivamente.
David Almeida busca a reeleição, enquanto Amom Mandel foi o deputado federal mais votado do Amazonas em 2022 / Reprodução
Ressalvas
Curitiba, Goiânia e Campo Grande também têm números apontando disputas acirradas, porém, os dados contam com nomes desistentes – portanto, não foram contabilizados nesta nota.
Em Curitiba, Deltan, agora, apoia o vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Já em Campo Grande, Puccinelli se aliou ao deputado federal Beto Pereira (PSDB).