CIDADES
Pecuária agrava situação de desmate e crise hídrica, diz pesquisadora
Published
1 ano agoon
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Da Redação
Montagem Rdnews

A expansão da pecuária no Brasil tem gerado impactos significativos no meio ambiente, especialmente na Amazônia Legal e no Pantanal. Em entrevista ao
, a bióloga e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso, Gabriela do Valle, do Instituto Hinova Bio, explicou como o aumento da criação de gado está diretamente relacionado ao desmatamento, as queimadas, a emissão de gases de efeito estufa e à degradação de biomas, fundamentais para o equilíbrio ecológico.
Conforme dados levantados pela geógrafa, Amanda Silva Almeida, a maior densidade de gado no país está concentrada nas regiões Centro-Oeste e Norte, sendo o estado de Mato Grosso o líder nesse ranking, tendo uma população bovina de 34,2 milhões contra 3,6 milhões de habitantes humanos (conforme Censo 2023), ou seja, a presença do gado no estado representa 14,6% do rebanho nacional, que possui um efetivo bovino de 234,4 milhões.
Amanda Silva Almeida/Espacialidade

À esquerda, o mapa que mostra quais estados do Brasil possuem mais gado do que humanos. À direita, vemos os municípios onde estão o maior rebanho
Conforme mostra o mapa da direita, o município de Cáceres (a 222 km de Cuiabá) segue com a maior presença de bovinos em Mato Grosso, tendo 1,4 milhão de gados contra 91,6 mil habitantes, representando 4,12% do rebanho de Mato Grosso. De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM-IBGE), de 2023, a cidade está entre os cinco maiores municípios pecuaristas do país, ocupando o 4º lugar no ranking nacional.
Segundo Gabriela do Valle, a crescente ocupação de terras para pastagens tem contribuído para o avanço do desmatamento, principalmente na Amazônia Legal, que, historicamente, tem sido afetada pelo chamado “arco do desmatamento”.
“A maior parte das áreas florestais convertidas em pastagens ocorre porque o Brasil é um dos principais exportadores mundiais de carne bovina”, afirma Gabriela. Segundo a pesquisadora, o país exporta anualmente mais de 200 mil toneladas de carne, colocando a produção pecuária como “um dos fatores principais para a remoção de cobertura vegetal nativa”.
Pantanal e queimadas
A pesquisadora ressaltou ainda que as mudanças que a pecuária tem causado no Pantanal, onde a criação de gado tradicionalmente adaptada ao regime de cheia e seca tem sido substituída por raças voltadas ao consumo externo. “Com essa mudança, o gado original, que era mais resistente ao ambiente, está sendo substituído pelo Nelore, que não tem a mesma adaptação”, explicou.
Segundo Gabriela, a adaptação forçada de raças não nativas tem impactado o ecossistema do Pantanal, que já sofre com secas prolongadas e incêndios frequentes, devido às mudanças climáticas e a ação humana. “O Pantanal é um bioma preservado dentro de seus limites, mas depende das áreas de planalto para receber sua carga hídrica. O desmatamento nessas regiões, combinado com hidrelétricas e mudanças climáticas, tem agravado a situação”, apontou a pesquisadora.
Arquivo Pessoal/Eveline Baptistella

Registro de região pantaneira feito pela pesquisadora Eveline Baptistella.
Conforme dados do MapBiomas, entre janeiro e agosto de 2024, a área queimada no Pantanal aumentou 249% em comparação à média dos cinco anos anteriores. Ao todo, foram 1,22 milhão de hectares queimados, sendo 874 mil hectares a mais que a média. O levantamento aponta ainda que 52% desse total, 648 mil hectares, queimou somente em agosto, representando a maior área queimada já observada no Pantanal para esse mês pelo Monitor do Fogo do MapBiomas.
Para Gabriela, a presença massiva de gado agrava esse cenário, pois a derrubada de florestas para pastagens reduz a umidade do solo, aumentando as chances de incêndios de grande escala. “A vegetação florestal ajuda a manter a umidade do solo e a estabilidade climática. Quando você remove essas áreas, cria condições propícias para incêndios. Muitos desses focos começam em fazendas e acabam se alastrando para áreas protegidas”, destacou.
De acordo com o pesquisador Sandro Menezes Silva, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a pecuária no Pantanal, frequentemente representa o primeiro uso econômico do solo após a remoção da floresta, para depois ceder espaço para a agricultura intensiva e para a expansão das áreas urbanas. “Em muitos casos, esse processo gera um grande passivo ambiental, pois não considera impactos ambientais relacionados à erosão e compactação dos solos, emissão de gases de efeito estufa e uso intensivo da água, especialmente quando boas práticas de produção não são utilizadas”, destacou.
Questão hídrica
Sobre o uso intensivo da água, a professora e pesquisadora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Eveline Teixeira Baptistella, explicou que, a idade média de um bovino varia entre 18 e 22 anos entretanto, o chamado “gado de corte” tem vivido muito menos, devido aos abates cada vez mais precoces, levando a um uso de água cada vez maior para suprir as necessidades básicas desses animais.
“Esse modelo de produção vai gerar uma coisa, por exemplo, chamada pegada hídrica, ou seja, para cada quilo de carne que a gente produz, existe um consumo de água que vai incluir: quanto se gastou para produzir o grão, que vai virar ração para aquele boi; Quanto se gastou na água que esse animal ingeriu; Quanto se gastou na lavagem do local onde ele fica confinado. Então, existem custos que não são imediatos, mas são de alto impacto social, que é o nosso bem-estar futuro, porque nós também vamos sofrer cada vez mais com questões como a falta d’água”, explicou.
A pesquisadora destacou ainda que o momento que vivemos já possui situações de grande impacto e que, em breve, vão se agravar cada vez mais.
“A questão é a seguinte: o que é bom para os outros animais é bom para os seres humanos – que também são animais. E isso não é demagogia. Sabemos que existe uma busca por modelos com cada vez menos impacto, mas urge a gente pensar também no que é o bem-estar para a vida na Terra. Há uma base de muito sofrimento, se a gente pensar, quem já conviveu com boi sabe, que eles têm sentimentos, são capazes de amizade, de afeto, de carinho. Na minha pesquisa, há vários relatos sobre bois que, mesmo sendo encaminhados para o abate, que fugiram, demonstrando sofrimento. Então, é claro, né? Ninguém quer morrer, muito menos precocemente”, declarou Eveline.
A professora citou que a crise climática, de recursos naturais e, em especial, a crise hídrica, vem impactando diretamente o Pantanal e a sociedade, em diversas partes do país. “Eu posso citar o nosso Pantanal, que tem secas cada vez mais extremas e a gente vê que que isso também é global e está vinculado a esse modelo global de consumo que temos hoje, que vai valorizar cada vez mais o excesso, inclusive em questões alimentares”, explicou.
“Precisamos de políticas que limitem a conversão de áreas naturais em pastagens e garantam que as APPs e reservas legais sejam respeitadas.”
Gabriela do Valle
Gases de efeito estufa
Para Gabriela do Valle, outro impacto causado devido a expansão pecuária, que vai além do desmatamento e da crise hídrica, é o fato de que a perda de vegetação contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa, alterando o ciclo da água e reduzindo a qualidade dos solos.
Os bovinos emitem gás carbônico (CO2) e o metano (CH4) e embora sejam essenciais na atmosfera para garantir a vida do planeta e ainda aquecê-lo, quando há uma emissão exacerbada, é provocado um superaquecimento que leva as secas prolongadas, ondas de calor, inundações e entre outras consequências.
A pesquisadora falou sobre a Lei nº 12.653/2024, sancionada pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) que alterou a Lei nº 8.830/2008 que liberou o acesso à pecuária em áreas de proteção permanente (APPs). A medida gerou polêmica e resultou em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), ajuizada pelo Partido Verde (PV), contra a decisão.
Arquivo Pessoal/Eveline Baptistella

Tuiuiu em meio ao gado, no Pantanal.
Lei que vai na contramão
Conforme publicado pelo
, a Procuradoria Geral da República (PGR), emitiu um parecer contrário à Lei nº 12.653/2024, por meio do relator Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ministro, o governo estabeleceu “regras próprias” para as áreas de preservação permanente e de reserva legal em Mato Grosso, “permitindo intervenções contrárias aos princípios da precaução e da prevenção, como o acesso para pecuária extensiva e a prática de roçada para a redução de biomassa vegetal combustível”.
“As APPs são essenciais para manter a qualidade da água, proteger a fauna nativa e garantir que as florestas cumpram seu papel na regulação climática. Se permitirmos a entrada do gado nessas áreas, comprometemos o ecossistema e abrimos precedentes perigosos para futuras degradações”, afirmou Gabriela.
Para a pesquisadora, tal lei vai na contramão da solução para mitigar os impactos da pecuária na Amazônia e no Pantanal mato-grossenses, segundo ela é necessário ter uma legislação mais rigorosa, além do incentivo a práticas sustentáveis, destacando a importância de garantir o cumprimento de pactos como o do Desmatamento Zero e da manutenção de áreas de preservação.
“Precisamos de políticas que limitem a conversão de áreas naturais em pastagens e garantam que as APPs e reservas legais sejam respeitadas. Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos por toda a população, com aumento da temperatura, chuvas irregulares e secas mais severas. Medidas rígidas são necessárias para frear esse avanço”, conclui.
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