Incêndios florestais já queimaram mais de 10 mil hectares na região da Chapada dos Veadeiros e da Área de Proteção Ambiental Pouso Alto, em Goiás, desde quinta-feira (5).
O total afetado corresponde a mais de 10 mil campos de futebol.
Equipes do ICMBio e do Ibama, além de bombeiros do estado, atuam na região para controlar a situação. Neste domingo (8), dois aviões devem ser colocados em operação.
De acordo com o governo federal, a região é atingida por “fogo subterrâneo”, que ocorre embaixo das raízes das plantas e é mais difícil de ser combatido.
As equipes atuam encharcando as áreas com fogo e cavando trincheiras ao redor dos focos para impedir a propagação do calor.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) chegou a emitir alerta vermelho neste domingo devido aos perigos causados pela baixa umidade do ar — abaixo de 12% — em Goiás, Mato Grosso, Pará e Tocantins.
As chuvas devem demorar para chegar na maior parte do Brasil, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A previsão indica que, nos próximos 14 dias, as áreas mais impactadas pela seca não devem registrar volumes de chuva significantes.
Conforme o Climatempo, a maior parte do país segue sob a influência de uma massa de ar seco e quente, mantendo as temperaturas elevadas na região central.
A baixa umidade do ar atinge níveis críticos nas áreas centrais, contribuindo para o aumento das queimadas. O transporte de fumaça dessas queimadas pode resultar em um céu mais esbranquiçado e visibilidade reduzida, especialmente nos estados do interior.
“Todos os biomas estão em risco”
A situação vista na região da Chapada dos Veadeiros é um exemplo da degradação em diferentes partes do país.
À CNN, o climatologista Carlos Nobre, referência internacional em assuntos relacionados ao aquecimento global, alerta para o risco que os biomas brasileiros correm de deixar de existir diante do avanço do desmatamento, das mudanças do clima e da contribuição da ação humana na crise climática.
Nobre cita, por exemplo, o prolongamento da estação seca no sul da Amazônia, que está de quatro a cinco semanas maior do que há 40 anos.
“Se ela chegar a seis meses ali não tem condição de manter mais a floresta amazônica. Seis meses de estação seca é o clima do Cerrado”, diz.
Nobre concorda com a declaração dada na última semana pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, de que o Pantanal pode deixar de existir até o final deste século.
“Não é só o risco do ponto de não retorno da Amazônia. Nós estamos com risco de ponto de não retorno da Caatinga se tornando semidesértica, do Cerrado se tornando muito semiárido, da Amazônia savanizada e do desaparecimento do Pantanal até o final do século. Todos esses riscos existem”, afirma.