ECONOMIA
Entenda: disputa em torno do IOF define quem paga por ajuste fiscal
Published
9 meses agoon
By
Da Redação
O Executivo e o Legislativo travam disputa, que tem girado em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para definir de onde sairá o dinheiro – em outras palavras, quem pagará a conta ─ para cobrir os R$ 20,5 bilhões necessários para cumprir a meta fiscal do orçamento de 2025. Isso porque o governo já bloqueou ou contingenciou R$ 31,3 bilhões em despesas deste ano. 

Analistas consultadas pela Agência Brasil avaliam que o governo tem encontrado resistência do Parlamento para aprovar alternativas que evitem cortes ainda maiores dos gastos primários, que costuma afetar a população mais pobre, que é quem mais precisa dos serviços públicos.
O Congresso – e setores do empresariado ─ tem resistido a medidas que aumentem a carga tributária e defende que o Executivo amplie os cortes das despesas primárias. Os gastos primários são as despesas com serviços públicos, como saúde, educação. Nesse cálculo, não entram os gastos com juros e a dívida pública.


Juliane Furno no DR com Demori, da TV Brasil. Paulo Pinto/Agência Brasil
A professora de economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Juliane Furno, afirma que várias medidas classificadas como aumento de impostos são, na verdade, de cortes de despesas tributárias.
“O Ministério da Fazenda está propondo diversas medidas de corte de gastos. Quando o governo propõe taxar as LCI e as LCA, ele está cortando gastos, porque, para serem isentas, o governo que cobre o valor. Ou seja, o Congresso não quer cortar qualquer gasto, como gastos tributários, quando inseridos nas isenções fiscais e tributárias”, destacou à Agência Brasil.
O governo propôs taxar em 5% os títulos das Letras de Crédito Imobiliárias (LCI) e do Agronegócio (LCA), que hoje são isentos. Porém, a medida foi duramente criticada pela bancada ruralista, que controla boa parte da Câmara e do Senado. A Frente Agropecuária afirma que isso vai encarecer o crédito rural.
A economista Juliane Furno acrescentou que esses gastos tributários beneficiam, em geral, grandes empresas que se utilizam de subsídios creditícios ou de isenção fiscal. Por isso, o setor empresarial tem exigido mais corte de despesas primárias.
“Tudo isso ─ subsídios creditício, subsídio tributário e isenção fiscal ─ entra no resultado primário do governo como ‘gasto’, e esse gasto eles não querem rever. Só querem cortar na carne dos gastos vinculados aos mais pobres”, completou Furno.
A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Cleo Manhas, destacou que a ampliação dos cortes de gastos primários, exigida como alternativa às medidas de aumento de receitas, vai prejudicar a população que mais usa as políticas sociais.
“O que há por trás disso é uma captura do orçamento por parte dos mais privilegiados, ampliando as desigualdades já abissais no Brasil. Com relação aos congressistas, que insistem que o único caminho é o corte de gastos primários, porque não cortam das emendas parlamentares que já ocupam cerca de 25% das despesas discricionárias? Ou dos supersalários?”, questionou Manhas.
Custo do crédito e IOF
A medida para elevar alíquotas do IOF, sugerida pelo governo, foi duramente criticada pelas principais lideranças do Congresso, pelo mercado financeiro e por setores empresarias. Eles argumentam que a mudança encarece o crédito das empresas, o que teria impacto negativo para toda população.
Em entrevista ao podcast do cantor e compositor Mano Brown, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o reajuste do IOF como forma de compensar o ajuste do orçamento.
“Toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, a gente tem que cortar no orçamento. O IOF é um pouco para fazer esta compensação. Estamos pegando os setores que ganham muito dinheiro e pagam muito pouco e também não querem pagar. Então, essa briga nós temos que fazer”, disse Lula.
O governo já recuou, em parte, da medida do IOF. Inicialmente, o decreto previa arrecadar cerca de R$ 20 bilhões. Após negociações, foi editada nova norma com impacto fiscal de R$ 10,5 bilhões. Porém, ainda assim, a Câmara aprovou urgência de projeto para sustar a mudança ligada ao IOF.


Assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Cléo Manhas. Cléo Manhas./Arquivo Pessoal
A assessora do Inesc, Cleo Manhas, argumentou à Agência Brasil que a mudança no IOF teria pouco efeito sobre o valor do crédito, que vem sendo encarecido pelas sucessivas altas da taxa Selic definidas pelo Banco Central (BC).
“O que onera de fato o crédito é a taxa Selic proibitiva que temos. Esses setores pensam apenas nos próprios interesses e tentam envolver toda a sociedade como se fossem afetados igualmente”, disse.
Segundo a especialista, a taxa Selic, hoje em 15% ao ano, atinge mais o pequeno comerciante, ou os microempreendedores, que perdem a possiblidade de acessar crédito. “Para os grandes, como o agronegócio, há juros subsidiados do Plano Safra. A taxa Selic ainda incide sobre os juros, ampliando o valor da nossa dívida. E não estamos com inflação desenfreada ou fora de controle”, analisou Manhas.
Cortes estruturais
Em vez de elevar a taxação de títulos como LCA ou do IOF, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sustentado que o governo deve apresentar medidas “estruturais” para reduzir os gastos primários.
Entre as sugestões que vem sendo discutidas, está a desvinculação dos pisos da saúde e educação do mínimo constitucional, o que poderia reduzir as despesas com essas políticas sociais. Outras sugestões são a de desvincular o reajuste da aposentadoria do aumento real do salário mínimo, ou mesmo acabar com o reajuste do salário mínimo acima da inflação.
A especialista em orçamento, Cleo Manhas, lembra que os recursos atuais para saúde e educação não são suficientes para as necessidades do povo brasileiro.
“Ainda não é possível ampliar a educação em tempo integral, ou mesmo melhorar a qualidade da alimentação escolar. Se quisessem de fato manter o tal equilíbrio fiscal, proporiam cortar subsídios e renúncias fiscais que reduzem a possibilidade de arrecadação. Ou não teriam ampliado o prazo de desoneração da folha de pagamento e do Perse [Programa de incentivos ao setor de Eventos] sem indicar qualquer compensação que não seja o corte de gastos”, destacou a assessora do Inesc.
Em 2024, o Congresso Nacional derrubou veto do Executivo e manteve a desoneração da folha de pagamento, que é redução de impostos, de 17 setores da economia. O gasto tributário com a medida mantida foi estimado em R$ 18 bilhões apenas no ano passado.
Outra proposta em debate entre Congresso e Executivo é a redução linear de isenções fiscais. O governo calcula que gasta, por ano, cerca de R$ 800 bilhões por ano com isenções tributárias para os mais diversos setores. Porém, tal projeto ainda não foi apresentado.
Corte já realizados
Após dar ultimato de 10 dias para que o governo apresentasse alternativas ao aumento do IOF, o presidente da Câmara, Hugo Motta, chegou a afirmar que o governo não teria feito qualquer esforço para reduzir as despesas primárias.
“Há dois anos e cinco meses, todas as medidas que aqui chegaram, visaram o aumento da arrecadação. Não chegaram medidas revendo despesas. E é isso que o Congresso tem cobrado”, disse Motta.


Presidente da Câmara dos deputados, Hugo Motta, durante coletiva à imprensa após a reunião de lideres. Lula Marques/Agência Brasil
Porém, só com o pacote de corte de gastos do ano passado que, entre outras medidas, reduziu o aumento real do salário mínimo, a União deve reduzir as despesas em R$ 327 bilhões em cinco anos. Já neste ano, houve o bloqueio de R$ 31,3 bilhões do orçamento, o que desmente a alegação que não foi feito corte de gastos.
Nova MP
Após intensas negociações, o governo reviu a decisão inicial, do final de maio, que previa o reajuste do IOF, entre outras medidas. A nova sugestão do Executivo veio por meio de nova medida provisória (MP), com mais corte de gastos, na casa dos R$ 4,2 bilhões, com impacto sobre a educação e seguro defeso dos pescadores. Além disso, as novas medidas preveem aumento de receitas na casa dos R$ 10,5 bilhões, mantendo cerca de 20% do aumento anterior previsto para o IOF.
Entre as medidas, está ainda a ampliação da taxação das bets, que são as empresas de apostas on-line, das Fintechs (bancos baseados em tecnologia digital), além de padronização das alíquotas de títulos de investimentos em 17,5%. Atualmente, títulos com vencimento acima de 2 anos pagam 15% de Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento.
Arcabouço Fiscal
A obrigação do governo de cortar gastos ou aumentar receitas é fruto da Lei do Arcabouço Fiscal, aprovada no início do governo Lula, e que limita as despesas da União. A lei foi aprovada em substituição ao antigo teto de gastos, aprovado no governo Michel Temer, que tinha regras ainda mais rígidas para as despesas da União.
A assessora do Inesc, Cleo Manhas, avalia que políticas fiscais muito restritivas não são sustentáveis e, por isso, há forte pressão para cortes de gastos em saúde e educação, a exemplo da proposta de desvincular os pisos dessas áreas fixados pela Constituição.
“Com dois anos de existência do arcabouço, já estamos vendo a redução drástica do orçamento para políticas sociais. O caminho escolhido sempre recai sobre aqueles e aquelas sub-representados no Congresso Nacional, como mulheres, negros, indígenas, quilombolas e população ribeirinha”, concluiu.
Cuiabá ultrapassa 2,7 milhões de atendimentos nas UPAs em oito meses
Corpo com marcas de tiros na cabeça é encontrado em área de mata próxima à Ponte de Ferro
Laura Fernandez inicia remoção de tatuagens e comemora resultado
Sábado acontece “Cãominhada Mulher e Pet”
IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes
Prefeitura de Cuiabá reforça importância do calendário vacinal infantil e disponibiliza imunizantes na rede municipal
Várzea Grande reforça parque de máquinas com novos veículos
Mulheres ocupam 74% dos cargos na Prefeitura de Cuiabá e ampliam presença em funções de liderança
IPTU de Várzea Grande pode ser pago diretamente nas casas lotéricas
Prefeita apresenta nova secretária, Maria Fernanda, aos servidores da Educação
SAÚDE
IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes
Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes na Pesquisa Nacional...
Um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual
Um quarto das estudantes adolescentes do Brasil já sofreu alguma situação de violência sexual, incluindo toques, beijos ou exposição de partes...
Rio antecipa Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe
O município do Rio de Janeiro antecipou a campanha nacional de vacinação contra a influenza marcado para o próximo sábado...
POLÍCIA
Corpo com marcas de tiros na cabeça é encontrado em área de mata próxima à Ponte de Ferro
O corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado na manhã desta quarta-feira (25) em meio a um matagal...
Veículos são recuperados e dois suspeitos detidos em Cuiabá e Várzea Grande
Com o auxílio do programa Vigia Mais MT, dois veículos com registro de roubo ou furto foram recuperados pelas forças...
Produtor rural foge da PM, é perseguido e acabada preso por embriaguez na rodovia MT-251
Conteúdo/ODOC – Um produtor rural de 43 anos foi preso após protagonizar uma perseguição policial na tarde de terça-feira (24),...
POLÍTICA
Natasha Slhessarenko critica extremismo político, mas defende governo Lula
Conteúdo/ODOC – Em entrevista na TV Vila Real, no Jornal do Meio Dia, a médica Natasha Slhessarenko (PSD), pré-candidata ao...
Alto Paraguai será 100% asfaltado: “Governo de MT tem ajudado em todas as áreas”, diz prefeito
A comitiva do Governo de Mato Grosso, liderada pelo governador Mauro Mendes, cumpriu a última agenda do dia em Alto...
Jayme Campos cobra aprovação de PL que tira dinheiro do ‘fundão’ para educação cidadã
A importância da educação cidadã foi destacada nesta terça-feira, 24, pelo senador Jayme Campos (União-MT), ocasião em que celebrou a...
CIDADES
Cuiabá ultrapassa 2,7 milhões de atendimentos nas UPAs em oito meses
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria Adjunta de Atenção Secundária, consolidou...
Prefeitura de Cuiabá paga aposentados e pensionistas e injeta quase R$ 30 milhões na economia
A Prefeitura de Cuiabá realiza nesta quarta-feira (25) o pagamento dos aposentados e pensionistas, garantindo a injeção de aproximadamente R$...
Cuiabá paga aposentados e pensionistas e injeta quase R$ 30 milhões na economia
A Prefeitura de Cuiabá realiza nesta quarta-feira (25) o pagamento dos aposentados e pensionistas, garantindo a injeção de aproximadamente R$...
ESPORTES
Competição ciclística terá premiação em dinheiro com percurso de 30 km em Guarantã do Norte
Guarantã do Norte receberá no dia 12 do mês que vem o 1º Desafio Ciclístico, evento esportivo que promete reunir...
Governo de MT reinaugura piscina olímpica em Cuiabá com investimento de R$ 13 milhões
O governo de Mato Grosso reinaugura, nesta quarta-feira, às 19h, a piscina olímpica do Complexo Arena Pantanal, em Cuiabá. O...
Cuiabá abre venda de ingressos a R$ 10 para partida contra o Tocantinópolis pela Copa Centro-Oeste
Esportes9 minutos ago Cuiabá abre venda de ingressos a R$ 10 para partida contra o Tocantinópolis pela Copa Centro-Oeste Os...
MATO GROSSO
Sábado acontece “Cãominhada Mulher e Pet”
No próximo sábado (28), no espaço externo da Arena Pantanal, acontece a “Cãominhada Mulher e Pet”, com o objetivo de...
Comissão aprova 14 projetos e delibera pauta com foco em turismo e valorização de produtos regionais
Foto: Hideraldo Costa/ALMT A Comissão de Indústria, Comércio e Turismo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira...
Comissão de Meio Ambiente com foco no Pantanal, produção sustentável e proteção animal é instalada
Foto: Hideraldo Costa/ALMT A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira (24), na Sala das Comissões Deputado Oscar...
Trending
-
ENTRETENIMENTO2 anos agoRodrigo Santoro e Mel Fronckowiak celebram o amor com a chegada do segundo filho; ‘Viva’
-
POLÍCIA2 anos agoPolícia Civil orienta o que fazer nos casos de hackeamento e/ou de falsos perfis junto ao Facebook
-
MATO GROSSO2 anos agoPGE-MT lança Cartilha Eleitoral 2024 com orientações para agentes públicos sobre conduta nas eleições
-
POLÍTICA2 anos agoVárzea Grande inaugura 25 obras e investe R$ 115 milhões em comemoração aos seus 157 anos
-
ESPORTES2 anos agoClube do interior é o único na série A
-
MATO GROSSO2 anos agoIncêndios no Pantanal aumentam quase 900% e região totaliza maior índice desde 2020, diz WWF-Brasil
-
MATO GROSSO2 anos agoDetran disponibiliza mais de 20 serviços de forma online; veja quais
-
POLÍTICA2 anos agoAlex da Guarani reafirma parceria com Dr. Thiago e expressa confiança em dobradinha
