O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e sua esposa, Sandra Maziero Cattani, relataram nesta segunda-feira (10) que vivem em “luto eterno” desde o que a filha do casal, Raquel Cattani, foi assassinada em julho de 2024, vítima de um feminicídio. O ex-marido dela, Romero Xavier, é acusado de ter osquestrado o crime e contratado como executor o irmão dele, Rodrigo, por R$ 4 mil. Ambos estão presos e são réus na Justiça pelo crime.
Em visita ao Grupo e entrevista exclusiva ao Rdtv Cast, os Cattani falaram pela primeira vez sobre o caso e os momentos de dor enfrentados pela família, compartilhando como vem sendo a criação dos dois netos deixados por Raquel, relembrando o legado da filha e cobrando por justiça.
Annie Souza/Rdnews
Gilberto Cattani e esposa Sandra Cattani concedem entrevista à jornalista Greyce Lima no Rdtv Cast; na tela, a imagem da filha assassinada, Raquel
Sandra relembra como a filha era “empoderada” e corria atrás de seus sonhos, sem desistir quando se deparava com dificuldades ou obstáculos. “A Raquel era espetacular, ela era diferenciada”, relembrou o pai, orgulhoso.
“Raquel lutou, deixou um legado. Ela tinha um sonho, lutou e foi uma empreendedora de sucesso. Nunca abandonou a família. Sempre conciliava uma coisa com outra. Nunca deixou de fazer as coisas dela, amava os filhos. A alegria dela era estar no meio da família”, afirmou a mãe.
O casal comentou ainda, a surpresa com a descoberta do envolvimento do ex-genro com a morte de Raquel, salientanto que isso não passava pela cabeça porque viam Romero como “um quarto filho”.
“A gente não imaginava… Você sempre tem aquela desconfiança: ‘Quem será? Por que será?’ O único motivo lógico era esse, que ele não teria aceitado o fim do relacionamento. Mas esse ‘será’ não te dá a certeza. Então a gente não tinha certeza de nada”, relembrou Gilberto Cattani.
“Jamais a gente pensou que ele seria capaz de fazer isso com a Raquel. Porque não demonstrava, ele não demonstrava. Ele era como um quarto filho pra nós ”
Sandra Cattani
“Jamais a gente pensou que ele seria capaz de fazer isso com a Raquel. Porque não demonstrava, ele não demonstrava. Ele era como um quarto filho pra nós. A gente sempre tratou ele muito bem. Eles tinham lá as suas desavenças, tinham. Ela reclamava dele, mas falar assim que ele seria capaz de chegar a esse ponto…”, disse Sandra.
O deputado afirmou que que sentiu vontade de “esganar” o ex-genro quanndo descobriu que ele seria o mandante da morte de Raquel, mas pensar nos netos e no significado do que é ser cristão foi o que freou seus pensamentos.
“Eu tinha e ainda tenho vontade [de esganar Romero]. Mas temos que ver até onde somos cristãos, o que Jesus Cristo nos ensinou. Eu quero ser um cristão genuino até o fim dos meus dias. Seria a minha primeira vontade, da minha carne [esganá-lo], mas eu fico pensando nos meus netos que devem pensar: ‘bom, meu pai fez isso com a minha mãe’. Daí se eu fizer alguma coisa com Romero, meus netos vão falar: ‘bom, meu avô fez isso com meu pai’. E aí eu seria igual a ele [Romero], e eu jamais vou querer ser igual a ele”, afirmou o parlamentar.
Prisão de Romero: choque e desespero
O deputado relatou que Romero ficou em sua casa por quatro dias e que ele e Sandra chegaram a sentir pena do ex-genro, pois o mesmo teria chorado e beijado Raquel durante o velório. “Ele era o nosso quarto filho e nós tínhamos um amor por ele também, até porque é o pai dos nossos netos”, disse Gilberto.
Annie Souza/Rdnews
Gilberto Cattani e esposa Sandra Cattani concedem entrevista ao Rdtv Cast
Entretanto, no dia 24 de julho de 2024, o sentimento mudou com a prisão de Romero, que ainda estava na casa dos Cattani. Segundo o deputado, um dos delegados à frente do caso enviou duas mensagens para ele, falando que Romero seria o mandante do crime, porém apagou a informação logo em seguida, pois foi informado que Romero estava na casa de Cattani – revelando o teor das mensagens depois da prisão.
“Quando eu olhei meu celular, tinha duas mensagens apagadas. Mas como o delegado estava mandando mensagem para nós constantemente, eu falei: ‘Ah, deve ter se enganado’. Isso era umas 18h quando eu recebi essas mensagens. Ele [Romero] estava lá, [na casa dos Cattani]. Ele já estava pronto para ir para Tapurah, junto com a mãe dele, estava com malas no carro e tudo. Aí eram 20h, chegou o doutor Edmundo [delegado], perguntou onde Romero estava. Aí ele já chegou e falou: ‘Romero, me acompanhe’. E aí ele o levou para o carro. Aí o delegado me contou”, relatou o deputado
Após isso, o casal disse que foi um “desespero”, visto que além da chocante informação, a mãe de Romero estava no local, além dos filhos.
Segundo Cattani, o casal de netos – um menino de 7 anos e uma menina de 4 anos – sabe tudo o que aconteceu e sentem muita saudade da mãe e pedem para vê-la. Emocionada, Sandra diz que precisa colocar os vídeos da filha, todos os dias, para a neta conseguir dormir. “Eles pedem pela mãe a toda hora”, contou.
Cattani relatou que houve uma audiência sobre o caso em novembro de 2024, mas que ainda não há previsão sobre o julgamento. Além disso, o deputado afirmou que não sabe mais nada sobre o processo, pois está em segredo de Justiça, mas revelou que gostaria de, um dia, falar com o ex-genro. O casal pede por justiça e espera que Romero e Rodrigo Xavier recebam a pena máxima possível.
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista do casal Cattani ao Rdtv Cast: