Conteúdo/ODOC – A denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, provocou divergências na Câmara Municipal de Cuiabá quanto ao modelo de apuração do caso. Enquanto parte dos vereadores defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, outro grupo sustenta que a criação de uma comissão especial é o caminho mais adequado neste momento.
A vereadora Michelly Alencar afirmou que a Mesa Diretora, composta por mulheres, não irá tratar o episódio como espetáculo político. Segundo ela, a prioridade deve ser garantir acolhimento à vítima e respeito aos limites regimentais da Casa.
Michelly destacou que transformar a denúncia em uma CPI poderia expor a mulher envolvida, principalmente diante da possibilidade de sessões transmitidas ao vivo. Para a parlamentar, submeter a vítima a questionamentos públicos e ao confronto direto com o acusado poderia gerar revitimização. Ela afirmou ainda que não compactua com qualquer tipo de assédio e reforçou que a Câmara precisa agir com responsabilidade.
A proposta de CPI foi apresentada pelo vereador Daniel Monteiro. No entanto, os parlamentares aprovaram a formação de uma comissão especial sugerida pela vereadora Dra. Mara. Conforme Michelly, a escolha ocorreu porque o Legislativo municipal já atingiu o limite de CPIs em andamento, o que impediria a abertura de uma nova comissão de inquérito neste momento.
A vereadora argumentou que a comissão especial tem competência para acompanhar o caso, apurar informações e encaminhar relatórios aos órgãos competentes, sem necessidade de exposição pública da vítima. Ela também afirmou que não aceitará pressões externas para mudar seu posicionamento e que seguirá o que considera adequado dentro das normas internas da Câmara.
Em sentido diferente, a vereadora Maria Avalone, presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, defendeu a instalação de uma CPI para investigar a denúncia. Para ela, a medida não possui motivação política nem tem como alvo o prefeito Abilio, mas busca esclarecer um possível caso de violência contra uma servidora municipal.
Maria Avalone afirmou que não pode se manter em silêncio diante de uma acusação considerada grave e lamentou que a abertura de outras comissões investigativas tenha inviabilizado a instalação da CPI proposta. Segundo a parlamentar, o episódio revela a necessidade de discutir mudanças no Regimento Interno da Câmara para permitir a criação de novas CPIs em situações semelhantes.
O caso segue em debate no Legislativo municipal, com a comissão especial já instituída e a possibilidade de revisão das regras internas sendo discutida entre os vereadores.