SAÚDE
Ataque a aborto legal espalha “pânico moral”, diz dirigente do Conanda
Published
5 meses agoon
By
Da Redação
Projetos que dificultam o aborto para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual tentam “espalhar pânico moral” para enfraquecer o direito ao aborto legal no Brasil. A avaliação é da vice-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Marina De Pol Poniwas, para quem o Projeto de Decreto Legislativo 03 de 2025, aprovado nesta quinta-feira pela Câmara dos Deputados, afronta os direitos fundamentais. 

“Esse é um debate de saúde pública, não do Legislativo, mas não querem permitir que um órgão como o Conanda exerça sua função para que essas crianças e adolescentes sejam de fato protegidos”, protesta.
Marina ocupava a presidência do Conselho no ano passado e, por isso, assina a Resolução 258, alvo do projeto de decreto legislativo aprovado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5). Apesar da votação na Câmara, a resolução continua vigente, já que o projeto precisa ser aprovado também pelo Senado para ter validade.
A psicóloga explica que o conselho viu necessidade de editar a resolução após a divulgação de dados que indicavam recorde de estupros em 2023, no Brasil, e também em resposta a outros projetos que tentavam limitar o acesso ao aborto legal, como o PL que pretendia equiparar a interrupção da gravidez ao crime de homicídio, mesmo nos casos autorizados por lei.
De acordo com Marina, há 13 projetos protocolados na Câmara contra a Resolução, que também foi contestada na Justiça.
“O aborto legal não é crime. O Código Penal tem previsão com relação a isso desde 1940. O Estatuto da Criança e do Adolescente é absolutamente protetivo, um marco civilizatório na nossa sociedade”.
“O que a gente pretendeu com essa resolução é orientar o sistema de garantia de direitos sobre como utilizar esse arcabouço legal existente para acessar um direito legal previsto pelo menos desde 1940, mas que vem sendo constantemente impedido”.
A vice-presidenta complementa que o Conanda também entendeu que é preciso orientar os serviços de saúde, assistência social e escolas sobre a importância do sigilo. “A Resolução 258 não fala só sobre o aborto, mas sim sobre todo esse processo de atendimento em casos de violência sexual”, contesta.
A resolução não trata apenas do direito ao aborto legal, mas “dispõe sobre o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e a garantia dos seus direitos”. O documento explica, por exemplo, que as vítimas devem receber escuta especializada, e que o atendimento de saúde deve ser priorizado.
Quanto ao aborto legal, o texto explica que uma vítima de estupro ou estupro de vulnerável que tenha engravidado em decorrência da violência não precisa apresentar boletim de ocorrência nem decisão judicial para ter direito ao aborto legal.
A resolução orienta também que os casos de violência sexual só precisam ser notificados, com a identificação da vítima, ao Conselho Tutelar, a quem cabe procurar o sistema de Justiça, salvo exceções específicas. Ainda de acordo com as disposições do texto, a criança ou adolescente vitima deve ser adequadamente informada sobre seus direitos, e sua vontade expressa deve ser priorizada, em casos de divergência com os pais ou representantes legais.
Marina argumenta que nada disso foi “criado” pelo Conanda, que editou a Resolução de acordo com a legislação vigente no país, para combater barreiras ilegais impostas, como a exigência do boletim de ocorrência.
“É uma orientação para que os profissionais e os operadores do sistema de garantia de direitos possam ter aquilo de fácil acesso e saibam conduzir da melhor forma possível esse cuidado célere, humanizado e não revitimizante daquela criança que já está num grave sofrimento”.
Reação dos movimentos sociais
Organizações que defendem os direitos das crianças e das mulheres também reagiram ao projeto de decreto legislativo e lançaram um abaixo-assinado contra a medida, dentro da campanha “Criança não é mãe”, que ganhou grande visibilidade em protesto contra o chamado PL do Estupro. A campanha também vai convocar atos para a próxima terça-feira (11). Já estão confirmadas manifestações no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e no Espírito Santo.
Laura Molinari, codiretora da campanha “Nem Presa Nem Morta”, que integra a ação “Criança não é Mãe”, lembra que o movimento feminista vem lutando há cerca de duas décadas contra diversos projetos que tentam recrudescer a legislação sobre aborto no Brasil. Ao longo deste tempo, perceberam que as propostas se avolumam conforme se aproxima o período eleitoral.
“Entra em um pacote moral das candidaturas e dos políticos de extrema direita. São os candidatos que falam que são contra as drogas, contra os gays e contra o aborto. Mas a gente tem um problema real que não entra nessa conta, que é justamente o caso das meninas que sofrem violência e terminam grávidas. A gravidez é um desfecho da violência em muitos casos. E a gente está falando especialmente das meninas, porque elas são as maiores vítimas de violência sexual no Brasil”, argumenta a ativista.
Por enquanto, nenhum projeto conseguiu derrubar as permissões concedidas pelo Código Penal de 1940, que autoriza a interrupção da gravidez nos casos de violência sexual e de risco de vida para a mãe. Além disso, em 2012, o Supremo Tribunal Federal estendeu a excepcionalidade aos casos de anencefalia, quando o cérebro do feto não se desenvolve, uma condição incompatível com a vida fora do útero.
A legislação brasileira nunca exigiu boletim de ocorrência ou processo judicial para a realização do procedimento, e também não impõe limite de idade gestacional.
Apesar de o direito ao aborto legal continuar garantido, Laura diz que todos esses ataques e as informações mentirosas disseminadas criam uma confusão deliberada que afasta crianças e mulheres dos serviços e gera insegurança para os profissionais que trabalham neles.
“Hoje, menos de 4% dos municípios brasileiros têm serviço de aborto legal. A gente tem uma média de 2 mil abortos legais por ano e, no caso das meninas estupradas, são menos de 200 por ano, enquanto 30 dão à luz todos os dias com menos de 14 anos no Brasil”.
“Essa confusão normativa é um problema para efetivação do aborto legal, então, a resolução do Conanda, veio para organizar o que já está na lei, justamente porque na prática o acesso basicamente não acontece”.
Pesquisa recente divulgada pelo Instituto Patrícia Galvão mostra que seis em cada dez mulheres que foram vítimas de violência sexual antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso e apenas 27% confiaram em algum familiar. Quase a totalidade dos entrevistados ─ 96% ─ considera que meninas de até 13 anos não têm preparo físico e emocional para ser mães.
Outro levantamento feito pelo Instituto, em 2020, identificou que 82% dos entrevistados são favoráveis ao direito ao aborto em casos de estupro. Eles também foram perguntados sobre o caso da menina de 10 anos, que engravidou após ser violentada pelo tio no Espírito Santo, e só conseguiu realizar o procedimento em hospital de Recife.
Para 94% dos entrevistados à época, o aborto deve ser permitido em casos como esse. Laura acredita que a reação dos movimentos sociais após cada ataque “tem ajudado a construir na opinião pública e na sociedade um entendimento de quais são os marcos legais do aborto no Brasil”, mas a oportunidade também é aproveitada por quem se interessa em espalhar informações inverídicas.
“Pelo lado de quem precisa acessar o serviço de aborto ilegal, já existe pouca informação sobre quais são os serviços, onde tem, onde não tem. E com essa enxurrada de fake news, realmente, as pessoas ficam sem saber o que fazer e acabam tendo o filho no fim das contas”, pondera a codiretora da campanha Nem Presa Nem Morta
Resposta no Congresso
Parlamentares contrários à matéria também reagiram na Câmara. A deputada federal Jack Rocha (PT-ES) protocolou um projeto de lei, com o apoio de outros 60 deputados, para “conferir força de lei” às diretrizes estabelecidas pela resolução do Conanda, preservando integralmente a sua redação.
Em um vídeo, publicado em suas redes sociais, a deputada afirmou que o objetivo é “transformar em lei o que nunca deveria ter sido posto em dúvida, que criança não é mãe, que estuprador não é pai e que a infância precisa de proteção e não de retrocesso.”
“Quando a maioria da Câmara decide sustar essa Resolução do Conanda, ela não está apenas revogando um ato administrativo, ela está rasgando um pacto civilizatório para proteger as crianças desde o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ela está dizendo que uma menina vítima de estupro de 9, 10, 11 anos tem que ser levada à maternidade a qualquer custo. Gravidez forçada é tortura”, complementou.
Cuiabá perde para o Gama pela Copa Centro-Oeste e chega a 7 jogos sem vencer
Republicanos aciona TRE e acusa Fagundes de propaganda antecipada em pré-campanha ao governo
Projeto Lutadoras tem prazo estendido e será lançado na próxima terça-feira (31) em Cuiabá
PRF e PM-MT apreendem mais de 1 tonelada de skunk em Alto Araguaia
Mais de 200 aprovados em concurso público são convocados para reforçar a saúde em Cuiabá
Prefeitura de Cuiabá reforça importância do calendário vacinal infantil e disponibiliza imunizantes na rede municipal
Várzea Grande reforça parque de máquinas com novos veículos
Mulheres ocupam 74% dos cargos na Prefeitura de Cuiabá e ampliam presença em funções de liderança
IPTU de Várzea Grande pode ser pago diretamente nas casas lotéricas
Prefeita apresenta nova secretária, Maria Fernanda, aos servidores da Educação
SAÚDE
Saúde libera R$ 900 mil para combate ao Chikungunya em Dourados
O Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle do Chikungunya...
Dia D: “vamos vacinar antes de o inverno chegar”, diz Padilha
O Ministério da Saúde promove, neste sábado (28), o Dia D de vacinação contra a gripe em todo o país....
Hospitalizações por Influenza A têm aumentado no país, informa Fiocruz
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) vem aumentando no país, de acordo com a nova edição do boletim...
POLÍCIA
PRF e PM-MT apreendem mais de 1 tonelada de skunk em Alto Araguaia
Na manhã deste sábado (28), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em ação conjunta com a Polícia Militar de Mato Grosso...
Homem de 37 anos é assasinado a facadas dentro de casa pelo próprio filho
Conteúdo/ODOC – Um homem identificado como José Francisco Souza dos Santos, de 37 anos, foi morto a facadas na madrugada...
Mulher é morta com golpes de faca no pescoço em Sinop
Uma mulher de 50 anos foi morta na tarde de quinta-feira (27) no bairro Boa Esperança, em Sinop. A vítima,...
POLÍTICA
Republicanos aciona TRE e acusa Fagundes de propaganda antecipada em pré-campanha ao governo
Conteúdo/ODOC – O diretório estadual do Republicanos em Mato Grosso ingressou com uma representação na Justiça Eleitoral contra o senador...
Coronel Fernanda chora, acusa tentativa de “enterrar” CPMI do INSS e cobra reação popular
Conteúdo/ODOC – A deputada federal Coronel Fernanda fez duras críticas à condução dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito...
Fagundes minimiza críticas de Medeiros, prega união no PL e cita orientação de Bolsonaro
Conteúdo/ODOC – O senador Wellington Fagundes adotou um discurso de apaziguamento ao comentar as críticas feitas pelo deputado federal José...
CIDADES
Projeto Lutadoras tem prazo estendido e será lançado na próxima terça-feira (31) em Cuiabá
O Projeto Lutadoras Edição 2026 será lançado oficialmente na próxima terça-feira (31 de março), às 18h, no Palácio das Artes...
Mais de 200 aprovados em concurso público são convocados para reforçar a saúde em Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, convocou nesta sexta-feira (27) candidatos aprovados no concurso público...
Limpeza do campo Arena Corinthians reforça compromisso com lazer e qualidade de vida em Várzea Grande
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, atendeu a uma demanda antiga...
ESPORTES
Cuiabá perde para o Gama pela Copa Centro-Oeste e chega a 7 jogos sem vencer
O Cuiabá acabou derrotado por 1 a 0 para o Gama-DF, há pouco, pela segunda partida do grupo B da...
Abertura dos Jogos das Escolas Militares reúne mais de 900 alunos em Sinop
A abertura oficial da 5ª edição dos Jogos dos Estudantes Militares em Sinop, ocorreu, ontem, e foi marcada por uma...
Sem vencer há seis jogos, Cuiabá encara hoje o Gama pela Copa Centro-Oeste
Esportes10 minutos ago Sem vencer há seis jogos, Cuiabá encara hoje o Gama pela Copa Centro-Oeste O Cuiabá enfrenta o...
MATO GROSSO
Semana na ALMT terá posse de novo governador e sessões ordinárias
Foto: Luciano Campbell/ALMT A agenda da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para a próxima semana será marcada por reuniões...
Presidente da ALMT destaca importância do controle interno na administração pública
Foto: ANGELO VARELA / ALMT O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Pode), participou nesta...
ALMT reúne ministros para discutir futuro das leis e impacto da inteligência artificial
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) concluiu, nesta sexta-feira (27), o segundo dia do II Seminário “A Legística e...
Trending
-
ENTRETENIMENTO2 anos agoRodrigo Santoro e Mel Fronckowiak celebram o amor com a chegada do segundo filho; ‘Viva’
-
POLÍCIA2 anos agoPolícia Civil orienta o que fazer nos casos de hackeamento e/ou de falsos perfis junto ao Facebook
-
MATO GROSSO2 anos agoPGE-MT lança Cartilha Eleitoral 2024 com orientações para agentes públicos sobre conduta nas eleições
-
POLÍTICA2 anos agoVárzea Grande inaugura 25 obras e investe R$ 115 milhões em comemoração aos seus 157 anos
-
ESPORTES2 anos agoClube do interior é o único na série A
-
MATO GROSSO2 anos agoIncêndios no Pantanal aumentam quase 900% e região totaliza maior índice desde 2020, diz WWF-Brasil
-
MATO GROSSO2 anos agoDetran disponibiliza mais de 20 serviços de forma online; veja quais
-
POLÍTICA2 anos agoAlex da Guarani reafirma parceria com Dr. Thiago e expressa confiança em dobradinha
